Sua Saúde - EXAME DA PRÓSTATA
Ultrassonografia e exames de sangue substituem o exame de toque no diagnóstico de câncer de próstata?
L.F.P., 41 anos, jornalista
O câncer de próstata é o tumor maligno mais detectado no sexo masculino e atinge grande parcela da população, principalmente, após os 50 anos. As razões que levam as pessoas a ter receio de se submeter ao exame de toque vão desde questões simplesmente culturais até o medo de descobrir a doença e ter que se tratar.
Entretanto, quando recebem explicações mais detalhadas sobre o exame, elas consultam o urologista, vencem facilmente qualquer constrangimento e não se incomodam mais em serem examinadas.
Na fase em que o câncer de próstata pode ser curado não ocorrem manifestações clínicas. Porém ausência de sintomas não representa ausência de doença. O tumor inicial é muito pequeno para provocar desconforto nos indivíduos.
Se esperarmos o crescimento do tumor a ponto de produzir sintomas, perderemos a oportunidade de cura-lo. Por isso é necessário procurar pelos primeiros sinais, antes que se apresente sintomas.
Quando o tumor é muito pequeno, os métodos de diagnóstico por imagem não são capazes de distinguir claramente o tumor do tecido normal. Com frequência, o exame diz que não existe tumor, mas ele está presente.
Outras vezes o exame sugere que existe um problema, mas na realidade é apenas uma inflamação. Tumores pequenos são identificados corretamente pela ultra-sonografia em menos de 50% dos casos.
Exame mais sensível para a detecção do tumor na fase inicial é a dosagem do antígeno prostático específico (PSA de prostatic specific antigen). O PSA é uma substância produzida na próstata para ser eliminada junto com o sêmen. Tem a finalidade de ajudar o espermatozóide no processo de fecundação.
As taxas de PSA no sangue geralmente são baixas, muitas vezes inferiores a 2,5 ng/dl. As células cancerosas produzem uma quantidade maior de PSA que as células normais. Quando realizamos a dosagem do PSA no sangue e encontrarmos valores superiores a 2,5 ng/dl em alguns casos, ou superiores a 4,0 ng/dl em outros, poderemos estar diante de um câncer de próstata.
Porém, não é somente o tumor maligno que é capaz de aumentar o PSA. O tumor benigno (hiperplasia de próstata) e a infecção (prostatite) também produzem mais PSA e podem confundir o diagnóstico.
O câncer de próstata também causa um endurecimento dos tecidos que adquirem a consistência de pedra. Somente o câncer tem esta característica. Além disso, o local mais frequente em que o tumor se origina é na região periférica da glândula, próxima ao intestino reto. Por isso, o toque retal é o exame mais sensível para detectar o tumor quando ele ainda está pequeno.
Ao tocar na próstata, através do reto, o urologista consegue sentir a área endurecida. Para garantir maior segurança no exame preventivo a melhor opção é a realização do PSA e do toque retal em conjunto.
Carlos A. M. da Costa Branco, Urologista





