O organismo feminino é protegido naturalmente pelo hormônio estrógeno contra riscos de doenças cardíacas, pelo menos até a menopausa. Com as mudanças de hábitos de vida que vêm ocorrendo nos últimos anos, como a quantidade de tarefas diárias envolvendo cuidar da casa, trabalhar, fumar, consumir álcool e outros costumes que antigamente pertenciam quase exclusivamente aos homens, os riscos típicos masculinos passaram a atingir também as mulheres.
Por isso, quanto mais cedo os cuidados com o organismo começarem, melhor. Para evitar que as doenças se desenvolvam ou mesmo que se agravem, é fundamental a realização de check-up periódico, principalmente aqueles que envolvam o coração. O acompanhamento regular da saúde facilita a descoberta precoce das doenças, o que garante maior efetividade também no tratamento.
Não há limite de idade para começar. Quando os hábitos da mulher são sedentários - ou seja, não envolvem prática de atividade física e há consumo de alimentos mais gordurosos e menos nutritivos -, antes mesmo dos 30 anos já é hora de consultar um cardiologista.
Mas, aquelas que não se enquadram no grupo de risco, que mantém costumes mais saudáveis, os exames cardiológicos podem começar aos 40 anos. Em ambos os casos, o check-up cardiológico deve ser contínuo e repetir-se anualmente. Esses cuidados são essenciais para reduzir o número de morte de mulheres por doenças do aparelho circulatório que, segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do SUS, hoje atinge 36% da população feminina.
Entretanto, é importante ressaltar também que os check-up não devem ser apenas voltados aos problemas cardiológicos. O ideal é que, a partir dos 30 ou 40 anos, as mulheres - e também os homens - realizem baterias de exames completas periodicamente, para evitar agravamento de doenças pela falta de diagnóstico.
Walmor Lemke - cardiologista (Curitiba)

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