Sabe-se hoje que a aterosclerose (doença dos vasos sanguíneos responsável por doenças como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral) inicia-se na infância e é progressiva. Estudo de necropsia realizado em 105 soldados americanos mortos na Guerra do Vietnã, com uma idade média de 22 anos, mostrou que 45% deles tinham alguma evidência de aterosclerose coronária e 5% apresentavam doença coronária severa.
Recomenda-se dosagem de colesterol e triglicérides em crianças que tenham pais ou avós com história de aterosclerose coronária, periférica ou cerebral com menos de 55 anos de idade (exemplo: criança cujo pai teve infarto do miocárdio por volta dos 50 anos). A dosagem do colesterol total também deveria ser realizada na criança cujos pais apresentam colesterol total acima de 240 mg/dL ou nas que apresentem outros fatores de risco como hipertensão arterial ou obesidade.
Na população em geral, uma avaliação global dos fatores de risco para doença cardiovascular deveria ser iniciada com a idade de 18 anos e repetida pelo menos a cada 5 anos. Tal postura enfatiza a importância da prevenção cardiovascular ao longo da vida nos adultos mais jovens. Pessoas com risco cardiovascular aumentado, por exemplo, aqueles com diabetes, tabagistas ou com obesidade, deveriam ser avaliados com maior frequência.
Um dos modelos mais utilizados para a avaliação do risco cardiovascular global é o chamado Escore de Framingham, que avalia o risco de evento cardiovascular em 10 anos com base na idade do paciente, HDL-colesterol (bom colesterol), colesterol total, pressão arterial sistólica, história de tratamento para hipertensão arterial e a presença ou não de diabetes e tabagismo.
Evander M. Botura - cardiologista (Londrina)

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