Stress eleva alcoolismo entre bancários
Estudo feito em clínica aponta que 50% dos pacientes atuam na área econômica, em que o stress e a pressão são maiores
Pesquisa acompanhou
1.100 pacientes
da Clínica
Nova Esperança
Adriana Ribeiro

Albari Rosa
VícioTrabalho em áreas desgastantes como economia e saúde pode levar à procura de drogas relaxantes como o álcoolProfissionais que atuam em áreas desgastantes acabam procurando no álcool ou em outras drogas alteradoras do humor, o relaxamento e a fuga do stress. A constatação é apresentada numa pesquisa realizada pela Clínica de Recuperação Nova Esperança, de Curitiba, que fez o levantamento entre os casos já atendidos em oito anos de funcionamento, para analisar quais as profissões com maior incidência de alcoolismo e drogas.
O estudo, realizado de fevereiro a abril deste ano, apontou que entre os 1.100 pacientes que foram internados no estabelecimento em oito anos, 50% eram profissionais que atuavam na área econômica, 20% do setor de saúde e 10% ligados à construção civil. Os policiais e os jornalistas também se destacaram entre os casos.
Entre as pessoas que trabalham na área econômica, os bancários são os exemplos mais clássicos de profissionais que sofrem pressão no trabalho. ‘‘Isso acontece porque eles são responsáveis, muitas vezes, por grandes quantias de dinheiro’’, analisa Aracélis Copedê Filha, administradora da Nova Esperança. Ela considera que o número de demissões na classe bancária nos últimos anos também é um fator que contribui para aumentar a tensão desses profissionais.
A responsabilidade de tratar da saúde das pessoas é o maior motivo de tensão entre os trabalhadores da saúde. ‘‘Eles lidam diariamente com a vida dos pacientes, o que não permite erros’’, diz Sílvia Albertini, diretora do Sindicato dos Servidores Públicos Estaduais de Serviço de Saúde (Sindsaúde). Segundo ela, ao perceberem o problema, muitos deles buscam ajuda. Somente o Sindsaúde atende a cada mês, em média, cinco pessoas que reclamam de problemas causados por stress, Lesão por Esforço Repetitivo (LER) e alcoolismo.
No caso dos trabalhadores da construção civil, o desgaste é provocado pela característica da profissão. Normalmente, estes profissionais são autônomos, o que gera insegurança quanto à condição financeira.
A psicóloga Ana Smolka explica que o alcoolismo é uma doença que pode ter consequências mais sérias se a pessoa predisposta apresentar ainda fatores psico-sociais. Mas um enfermeiro aposentado, que prefere não ser identificado, discorda dessa análise. Com a experiência de quem bebeu durante 11 anos e que há 18 anos está livre do álcool, ele diz que o alcoolismo não é consequência de fatores externos. ‘‘Sou integrante dos Alcóolicos Anônimos (AA), e lá encontrei pessoas que se tornaram alcoolistas aos seis e aos 70 anos de idade, quando não estavam trabalhando’’, comenta.

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