STF não mandou defesa a Assunção
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terça-feira, 21 de julho de 1998
Cláudio Osti 
O Supremo Tribunal Federal ainda não enviou ao juiz Gustavo O.Campos Gonzalez, que irá julgar o caso da londrinense Rosemary Garcia Ferreira, a carta rogatória que poderá ajudar a provar a inocência dela. Rosemary foi presa em maio de 96 no aeroporto Silvio Petirossi, em Assunção, com quatro quilos de cocaína pura, amarrada ao próprio corpo. A droga seria levada para Madri e Bruxelas.
Segundo parentes de Rosemary, ela teria sido iludida depois de ler um anúncio que oferecia emprego de modelo para desfilar na Europa. Levada ao Paraguai pelos agentes que iriam empresariá-la, afirmam os parentes, foi coagida a levar a droga mediante ameaça de morte.
A carta rogatória - que foi pedida pelos advogados dela em fevereiro de 97 -, explicou Scalassara, é a produção das provas da inocência de Rosemary. O documento conterá depoimentos de testemunhas, relação dos telefonemas de Rosemary à família desde que saiu de Londrina e tem como finalidade provar a boa fé da moça.
Segundo a assessoria do STF, a demora no envio da carta rogatória deve-se às férias forenses e só deverá ser encaminhada pelo presidente do Supremo, ministro Celso Mello, em agosto.
Os advogados Jorge Custódio Ferreira, irmão de Rosemary, Carlos Scalassara e a vereadora Elza Correia (sem partido) viajam nesta sexta-feira para Assunção. O grupo terá audiência com o Cônsul Geral de Assunção, ministro Joaquim Palmeiro e com a ministra da Mulher do Paragauai, Nilda Cabral. Os advogados temem que Rosemary seja julgada antes que o juiz receba a carta rogatória. A preocupação deles é que o juiz pode dar a sentença sem as provas dela. Scalassara diz que o mais grave é que embora a declaração dos direitos humanos diga que todo acusado é presumivelmente inocente até que seja julgado, ela está presa há dois anos sem julgamento.


