Curitiba - O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, esteve ontem, em Curitiba, participando da plenária organizada pela Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), onde voltou a afirmar que quer mais agilidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva no processo de reforma agrária.
Os jornalistas foram impedidos de acompanhar a conversa de Stedile com os participantes do encontro, entre eles, representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores (Cepat). O líder do MST negou que a atitude teve qualquer relação com o fato de a imprensa ter explorado sua declaração de que o MST iria ''infernizar'' o governo.
Stedile reforçou que as mobilizações do MST programadas para abril tendem a ser mais ''volumosas'' porque a reforma agrária está ''muito lenta''. ''Se o governo não agilizar a reforma agrária, o desemprego e a pobreza só vão aumentar'', afirmou. O MST, segundo ele, quer que o governo acelere as vistorias e desapropriações para implantação dos assentamentos. Pede, também, um sistema desburocratizado de crédito e assistência técnica aos assentados. Stedile lembrou que das 500 mil famílias que vivem em assentamentos, apenas 64 mil tiveram acesso a crédito rural no ano passado.
O coordenador do MST no Paraná, Roberto Baggio, disse, ontem, que a meta do governo federal de incluir, este ano, 3 mil famílias do Estado na reforma agrária não atende as expectativas do movimento, que defende que todas as cerca de 15 mil famílias acampadas no Paraná sejam assentadas em 2004. Ele entende que o governo federal deve romper a ''blindagem jurídica'' herdada do governo anterior, que engessou a reforma agrária, e reestruturar o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Sobre a fazenda da Agropecuária San Rafael, em Antonina, Baggio afirmou que o MST quer que a área (de preservação ambiental) - assim como as demais terras da região - seja destinada à reforma agrária. Cerca de 80 famílias ligadas ao MST bloquearam a estrada de acesso à fazendo na última quarta-feira. O dono da fazenda, Pedro Paulo Pamplona, alega que eles invadiram a propriedade e estão retirando bens e matando búfalos. Baggio nega as acusações.
A jornada do MST no Paraná será iniciada no dia 12 de abril, com uma concentração dos trabalhadores rurais sem-terra no monumento a Antônio Tavares na BR-277 entre Curitiba e Ponta Grossa. O sem-terra foi morto, em 2000, durante confronto com a Polícia Militar (PM).

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