SRP contesta superintendente do Incra
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de outubro de 1998
Alexandre Sanches 
A diretoria da Sociedade Rural do Paraná (SRP) contestou ontem a informação do superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Estado, Petrus Emili Abi-Abib, de que os ruralistas não acompanham os processos de desapropriação de área para a reforma agrária. Petrus fez a declaração anteontem, após a ocupação da Fazenda São Carlos, em Arapongas (37 km a oeste de Londrina).
O presidente da SRP, Francisco Luís Prado Galli, acusou o Incra de ser moroso ao transmitir as informações para os ruralistas, enquanto para os sem-terra estas informações fluem rapidamente. Nós procuramos os trâmites legais. Estivemos reunidos com ele em Cascavel em agosto, onde nos comprometemos em agilizar a troca de informações sobre as áreas em processo de vistoria e desapropriação para fins da reforma agrária, comentou.
Galli apresentou um ofício enviado pela Sociedade Rural datado de 27 de agosto, no qual solicitou informações sobre as fazendas a serem vistoriadas pelo Incra no Estado ainda este ano e em 1999. A resposta foi transmitida no dia 19 de outubro.
E eles não nos informaram nada do que queríamos saber. Isso comprova a inoperância que há dentro do Incra, declarou o diretor-secretário da SRP Arnaldo Coelho do Amaral Filho.
Os produtores rurais afirmam que há vazamento de informações ou privilégios para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), enquanto que eles esbarram na burocracia da lei. Nos pautamos nos desdobramentos legais para ter informações sobre determinadas áreas.
É uma inverdade muito grande que não estamos acompanhando os processos de vistoria e desapropriação. Só não sabemos quais os meios utilizados pelo MST para ter informações tão rápidas. Os sem-terra não agem de acordo com a lei, argumentou Francisco Galli.
Além da demora nas informações, os ruralistas também questinam o por quê o Incra faz vistoria em áreas invadidas. O vice-presidente da Sociedade Rural, Edson Neme Ruiz, lembra que a lei regulamenta que área invadida não será negociada num período de dois anos.
Queremos saber quais os critérios utilizados pelo Incra para considerar uma área improdutiva. Até agora, ninguém nos informou. A Fazenda São Carlos, por exemplo, foi considerada improdutiva. Só que a produção na área é muito grande e utiliza tecnologia de ponta.
Procurando defender o direito à terra para todos, justificando que são a favor da reforma agrária, os diretores da SRP, defendem até o direito do Banco do Brasil sobre as terras que foram tomadas em garantia de dívida. No entanto, contestamos as circunstâncias em que o banco se transformou em dono de terra, comentou Arnaldo Filho.
A Sociedade Rural do Paraná apresentou ainda que a posição da entidade em relação ao Incra é bem definida. Cobramos e cobraremos diuturnamente uma posição do governo federal e estadual no cumprimento da lei. Também estamos contestando os índices de produtividade estabelecidos pelo Incra. Somos a favor da reforma agrária, mas que ela seja realizada às claras e da forma correta, ressaltou Galli.


