Maigue Gueths
De Curitiba
Um projeto em fase de testes na Ilha Rasa, em Guaraqueçaba, e na Reserva Morro da Mina, no município de Antonina, ambas no litoral paranaense, pode ser a solução para o tratamento de esgoto nas áreas litorâneas. O projeto da bióloga Tamara Simone Van Kaick, da organização não-governamental Sociedade Protetora da Vida Selvagem (SPVS), é uma adaptação de uma experiência alemã de saneamento, que vem tendo bons resultados também nas condições climáticas e de vida da comunidade litorânea no Paraná. Esse novo sistema, que trata o esgoto de forma natural e com baixíssimo custo, já chegou inclusive a receber prêmio de melhor projeto na Expotec/99 do Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (Cefet/PR).
O sistema é chamado de ‘‘processo de tratamento de esgoto por meio de zona de raízes’’. A tecnologia é simples. Primeiro, o esgoto passa pela fossa séptica, onde o líquido é separado do sólido. Depois, é jogado para decomposição em uma caixa, localizada entre a casa e o mar ou rio. Nessa estação são utilizados materiais para filtragem, como pedras e uma planta de raízes fartas. O efluente passa pela raiz da planta, onde é tratado, em seguida pelo material que serve como filtro. Após o tratamento natural, o resíduo líquido é despejado no mar ou rio sem riscos de contaminação do ambiente.
A idéia, segundo a bióloga, veio da Alemanha, quando ela fez estágio de três meses em uma estação de tramento de esgoto, em Munique. ‘‘Lá as condições climáticas e as plantas eram diferentes e eu tive que adaptar o projeto para a nossa realidade’’, diz. Em Ilha Rasa e no Morro da Mina, estão sendo usados materiais alternativos. Enquanto na Alemanha a filtragem é feita com o uso do junco, taboa, areia e cascalho, no Morro da Mina o trabalho passou a ser realizado só com a planta taboa, areia e pedra brita.
A mudança mais radical aconteceu na Ilha Rasa, onde as pedras foram trocadas por conchas de ostra, e a planta usada é a Cladium Mariscus, nativa da região, de raízes fartas e resistente à água salobra. O tamanho da caixa de recepção do esgoto também sofreu mudanças. Na Alemanha a caixa tinha entre 3 a 5 metros quadrados para tratar a demanda de esgoto de cada pessoa. Aqui, a caixa tem apenas um metro quadrado por usuário.
O projeto da Ilha Rasa, segundo Tamara, é um trabalho conjunto entre a SPVS, o Cefet e a Fundação Nacional de Saúde. Lá, o teste está sendo feito junto a uma casa onde vivem cinco pessoas. Já a estação em teste na reserva do Morro da Mina é da SPVS e atende um casal. Neste local, monitoramento feito nos últimos três meses mostra uma redução de 80% de contaminação, número significativo já que numa fossa séptica convencional o índice é de em média 50%. As vantagens, segundo a bióloga, são muitas: o sistema não tem custo de energia, não produz mau cheiro, não deixa resíduos nas plantas, é auto-sustentável e permite integração ambiente/paisagem.

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