Spam é fonte de stress e perda de tempo
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terça-feira, 28 de julho de 2009
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
A primeira tarefa da rotina da proprietária de agência de turismo Sineya Pinto é fazer a triagem da caixa de e-mails. Como é responsável por três endereços diferentes, o trabalho exige tempo e paciência. Por isso, a empresária costuma relaxar, pegar um café ou chá e iniciar, com calma, a seleção das mensagens que interessam e das que podem ser consideradas lixo eletrônico.
Diariamente, ela gasta pelo menos quarenta minutos na frente da tela do computador para fazer a seleção do correio eletrônico. Às segundas-feiras, quando até mil novas mensagens são encontradas na caixa de entrada, o tempo desperdiçado é de cerca de uma hora e meia. Só então, comenta, pode começar a trabalhar. Primeiro tenho que limpar o computador. Só depois começo a mexer com as reservas, os passageiros e as cotações, revela.
Por outro lado, o recebimento de e-mails é uma das ferramentas de trabalho mais importantes para agentes de viagens. É dessa forma que recebem informações sobre promoções e novos pacotes. E é por meio das mensagens eletrônicas que a empresa costuma comunicar-se com os seus clientes.
Sineya conta que o excesso de mensagens já provocou danos mais graves que o estresse diário. Por descuido, um e-mail com vírus foi aberto e contaminou o computador da firma. Para minimizar o risco, foi necessário adotar alguns cuidados, como consultar o site da companhia aérea para checar a veracidade das promoções e até entrar em contato por telefone antes de abrir o e-mail.
Não se trata de excesso. O Brasil, de acordo com o Relatório de Spam da Symantec, divulgado no site da empresa especializada em segurança digital, ocupa o segundo lugar na lista dos países que mais geram mensagens eletrônicas indesejadas, com 10% do total. Os Estados Unidos são os primeiros, com 26%. O estudo indica ainda que, em 2008, 62 trilhões de mensagens caracterizadas como spam foram emitidas no mundo.
Para o empresário José Carlos Pinto, o bombardeio de spam na área de turismo é violento. Ele explica que um pré-requisito para participação em feiras do ramo é deixar o cartão de visitas, e consequentemente o endereço eletrônico, para cada um dos expositores e clientes do evento. Essas empresas, como sabem que a comunicação pela internet é a mais barata de todas, bombardeiam mesmo, afirma. Ele acrescenta que, por ser responsável pelo setor financeiro da empresa, não precisaria receber mensagens de pacotes e promoções. E aponta uma saída: de tempos em tempos, troca de endereço eletrônico porque o trabalho fica inviável devido ao excesso de mensagens indesejadas.
O estresse não é a única consequência negativa provocada pelo spam. Existem também os danos ambientais. O relatório indica ainda outro problema: o desperdício de energia elétrica. Segundo o estudo, 52% dessa energia são gastos para ler mensagens, 27% para buscar mensagens indevidamente marcadas como spam e 16% para processar softwares para que os filtros funcionem adequadamente. A criação e transmissão do spam são responsáveis por uma parte quase insignificante da energia consumida.
José Carlos Pinto adverte, porém, que os próprios programas de filtragem podem gerar prejuízo. É que existem softwares tão rigorosos, segundo o empresário, que barram até mensagens que deveriam ser recebidas.
Por semana, a gerente de agência de turismo Thaizi Helena Cambui recebe mais de 500 e-mails indesejados. Grande parte, afirma, ela nem lê. O risco de deletar material importante, no entanto, existe. Na maior parte, são mensagens de operadoras de turismo. É mais uma perda de tempo. Mas também estressa. E é uma ferramenta importante, já que tem promoções que ficamos sabendo por e-mail, ressalta.


