Atenção: você tem pendências com a Receita. Clique aqui para regularizar sua situação. Duvido que você ainda não tenha recebido esta mensagem, tão comum nas caixas postais virtuais ultimamente. E a primeira reação de todo mundo é clicar. Depois de apertar o botão esquerdo do mouse, você é direcionado a uma nova tela, que pede a instalação de um programa. E só quando seu computador informa que o programa não pode ser instalado que você se dá conta de que está diante de um vírus. E aí pode ser tarde demais.
Mas nem só de vírus é infestado nosso correio eletrônico. Propagandas indesejadas são, em disparado, as mensagens que mais compõem a lista de spams, aqueles e-mails que recebemos sem solicitação prévia. Uma pesquisa realizada pela empresa de segurança na Internet McAfee, em abril, publicada pela BBC Brasil, apontou que os brasileiros ficaram em segundos no ranking e receberam 15.856 emails indesejados em um mês (veja box).
Segundo o especialista em segurança na Internet, Marcelo Okano, de São Paulo, provedores e softwares de e-mails possuem ferramentas anti-spam, mas o gerenciamento ainda fica a cargo do usuário. ''Os spams prejudicam o usuário de várias formas: provocam perda de tempo para verificar se o e-mail é legítimo, ocupam espaço inútil na caixa-postal, obrigam o usuário a gastar com softwares e ferramentas para bloquear as mensagens indesejadas e aumentam o risco de fraudes'', informou.
Para Okano, o e-mail é uma ótima forma para enviar textos, documentos, fotos ou outros tipos de arquivo por ser rápido, de fácil uso e muitas vezes gratuito, mas como todas as ferramentas da Internet, pode trazer complicações. ''Desconfie de mensagens que oferecem vantagens mirabolantes ou alertam sobre alguma dívida pendente do usuário, tenha cuidado ao abrir arquivos anexados, pois eles podem contar algum código ou programa que são executados automaticamente.''
Indesejados
Trabalhando como programador em Londrina, Flávio Navarro Fernandes recebe, em média, 50 mensagens indesejadas por dia entre seus e-mails pessoal e comercial, mas nunca teve problemas com spams. Segundo ele, receber e-mails indesejados é comum entre os usuários da rede e não só entre quem trabalha na área.
''Hoje em dia o próprio provedor cria uma lista negra, mas para alimentar esta lista eu marco a mensagem como indesejada e deleto. Da próxima vez que chegar um e-mail com o mesmo endereço, o provedor bloqueia automaticamente'', comentou Fernandes, lembrando que cada spam bloqueado contribui para diminuir os crimes na Internet.
Conforme ele, a rede conta com um banco de dados de e-mails bloqueados, ''por isso um usuário ajuda o outro a não receber spams''. Mas ele reforçou que todo dia surgem novas mensagens indesejadas. ''É importante educar a pessoa a prestar mais atenção, mesmo nas pastas de lixo eletrônico'', disse o programador. Para ele, deveriam ser feitas campanhas contra o spam.
''Empresas normalmente não mandam e-mails pessoais, por isso vale ligar para a empresa e verificar antes de abrir a mensagem'', completou Flávio Fernandes, que deu a dica: ''Ideal é não clicar em qualquer lugar''. (M.G.)

Propostas financeiras são comuns
  Uma pesquisa realizada pela empresa de segurança na Internet McAfee, em abril, publicada pela BBC Brasil, apontou que o usuário convencional recebe cerca de 70 e-mails indesejados por dia. Para realizar o estudo, a empresa convidou 50 voluntários de dez países e os participantes passaram um mês navegando sem filtro ou proteção contra spam.
  Os participantes norte-americanos receberam um total de 23.233 spams em um mês e lideraram a lista. Já os brasileiros, segundos no ranking, receberam 15.856 emails indesejados. Em terceiro lugar ficou a Itália, seguida de México e Reino Unido.
  A empresa compilou ainda uma lista dos tipos de spams. E-mails com propostas financeiras foram os mais comuns, seguidos de propagandas e anúncios. A pesquisa assinalou ainda que 8% dos e-mails recebidos durante o estudo foram classificados como phishings – quando fraudadores tentam obter dados bancários e outras informações importantes de consumidores como senhas, fazendo-se passar por bancos ou outras empresas financeiras. É o caso das solicitações da Receita Federal ou do Ministério Público, por exemplo.
  ‘‘É possível que exista uma relação entre os altos níveis de phishing no Brasil com os altos índices de crimes cibernéticos no País. Isso porque o Brasil introduziu internet banking (transações bancárias realizadas online) antes de outros países e atraiu mais criminosos nessa área’’, alertou Jeff Green, da equipe de pesquisadores da McAfee. (M.G.)

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