São Paulo - Vai-Vai e Gaviões da Fiel saíram na frente em busca do título do carnaval 2003 de São Paulo, com leve vantagem para os torcedores corintianos numa noite em que os temores de violência não se confirmaram. Apesar dos incidentes envolvendo torcidas na semana passada, a noite foi tranquila. As escolas não foram vaiadas e as ocorrências policiais, triviais.
Nenhuma das duas escolas chegou a conquistar o público, pouco animado na primeira noite de desfiles no sambódromo paulistano. Em outros anos, a platéia cantou e dançou por toda a noite, mas desta vez a animação inicial a cada escola pareceu esmaecer durante a apresentação. Talvez por causa das próprias escolas, que não se saíram tão bem quanto em anos anteriores.
Nota de destaque nesse aspecto ficou por conta da Águia de Ouro, que fez o melhor desfile de sua história entre as grandes escolas. Ela corre por fora, com grande chance de voltar à passarela na apresentação das campeãs. Outra com possibilidade de retornar é a Rosas de Ouro, com bela exibição. Quem não foi nada bem e vai ter de torcer muito terça-feira durante a apuração das notas dos jurados é a Barroca Zona Sul.
A Vai-Vai, escola da Bela Vista, já fez desfiles melhores, muito melhores que o da madrugada de ontem. Mas sua apresentação teve a marca da experiência e a harmonia e a evolução foram impecáveis. As fantasias não estiveram tão luxuosas como em outras ocasiões, mas ainda assim se destacavam. A disciplina imposta pela escola da Bela Vista é rigorosa e funciona. Nas alas, todos vestiam rigorosamente as mesmas fantasias dos pés à cabeça. A bateria marcou o samba com sua tradicional competência e o enredo sobre o cavalo foi bem apresentado, quase que didaticamente ao longo de alas e carros. Em alegorias e adereços é que o Bexiga pode ter uma decepção. Os carros não estavam impecáveis e em muitos faltava brilho.
O que pode ter faltado à Vai-Vai, não faltou a Gaviões. A campeã de 2002 fez uma apresentação para conquistar o bi. A bateria arriscou pouco na marcação e levantou o público com sua dança sincronizada e algumas paradinhas. Os carros tinham acabamento perfeito e as alas estavam muito bem vestidas e coloridas e alegres. A comissão de frente homenageava todas as escolas de São Paulo no enredo sobre folclore do Brasil.
Recife - A campanha Fome Zero e o conflito envolvendo os EUA e o Iraque inspiraram fantasias e brincadeiras no desfile de ontem do Galo da Madrugada, maior bloco carnavalesco do mundo, segundo o ''Guinness Book'', o livro dos recordes.
Foliões em grupos ou solitários se vestiram para homenagear o carro-chefe dos programas sociais do governo federal ou ironizar a briga entre o ditador Saddam Hussein e o presidente norte-americano, George W. Bush.
Aproveitando as tradicionais fantasias de árabe, várias pessoas também se divertiram carregando cartazes contra a guerra e pedindo paz. Foliões também lembraram a CPI do grampo.
O Galo, que este ano estima ter arrastado pelo menos 1,5 milhão de pessoas - a Polícia Militar não avaliou a multidão -, saiu pontualmente às 10h, após um show pirotécnico. Com o tema ''o mundo do circo'', o bloco desfilou por cerca de quatro quilômetros, do forte das Cinco Pontas até o centro da cidade.
Rio de Janeiro - No Rio de Janeiro, o clima de terror imposto pelos traficantes nos últimos dias não tirou o ânimo dos foliões que saíram às ruas com blocos tradicionais, como o Cordão da Bola Preta. Segundo estimativas, a cidade do carnaval mais famoso do mundo, está recebendo cerca de 400 mil turistas. A maior atração é o desfile das escolas de samba do grupo A, hoje e amanhã.

mockup