'Sou uma guerreira'
Não são todas as mulheres que podem contar com o companheiro. Na casa de Marta Moura Fernandes, de 33 anos, os filhos Fábio, de 15 anos, Suellen, 14, e Lucas, 12, dependem totalmente da mãe, que encara dois empregos para pagar as contas de casa.
Ela é um exemplo entre muitas brasileiras que assumem a liderança da casa. Hoje, elas são responsáveis pelo sustento de 35% dos domicílios. Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) entre 2001 e 2009, aponta que as famílias brasileiras chefiadas por mulheres subiu de aproximadamente 27% para 35%. São aproxidamente 22 milhões de famílias que identificam como principal responsável alguém do sexo feminino.
Separada há seis anos, Marta conta que o marido tinha problemas com bebida alcoólica e, muitas vezes, deixava o salário no bar. ''Percebi que mesmo casada já era a principal responsável pela casa e pelos meus filhos. Resolvi me separar e, graças a Deus, meus filhos sabem da nossa condição e me ajudam muito'', diz ela, que tem uma renda mensal de aproximadamente R$ 1 mil.
Marta trabalha como faxineira no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) de segunda a sexta. Aos sábados, é diarista em uma residência e no domingo se dedica à casa, lavando e passando roupas. ''Quase todo meu salário serve para pagar as contas. O dinheiro extra, que ganho como diarista, é para fazer algum programa de lazer com meus filhos. A gente sai para comer um lanche, por exemplo'', diz. A família está cadastrada no programa Minha Casa, Minha Vida do Governo Federal e aguarda a liberação de uma casa. ''Acredito que vai melhorar e muito, pois vamos ter nosso cantinho e vou poder ofercer uma vida mais confortável para meus filhos'', afirma.
Mesmo com o horário apertado - sai para trabalhar cedo e só retorna à noite - Marta não deixa de preparar o uniforme escolar dos filhos antes de pegar o ônibus e também não deixa de encarar a vida com otimismo. ''Escuto muitas mulheres se queixando porque cuidam de tudo sozinhas e algumas até acabam perdendo a paciência com os filhos. Eu não. Não tenho muitos recursos, mas não tenho preguiça de trabalhar e nem deixo de cuidar de mim. Não saio de casa sem um batom e não deixo de fazer uma escova no cabelo de vez em quando. Sou uma guerreira'', fala, aos risos. (M.O.)





