Sou da Paz fala em risco para segurança
Londrina - Bruno Langeani, coordenador do Instituto Sou da Paz, acredita que a apresentação de projetos no Congresso Nacional para estender o direito de porte de arma a mais categorias está se tornando mais comum por duas razões principais. "A indústria de armas tem aumentado o investimento em (doações de campanha para) parlamentares, para que defendam suas bandeiras. Muitos projetos apresentados no Congresso têm até o mesmo texto, ou abrangem categorias que já estavam incluídas em outros projetos, mesmo vindo de parlamentares diferentes", argumenta.
O outro motivo, argumenta Langeani, seria a utilização do porte de arma como "prêmio de consolação". "Por exemplo, no ano passado, foi permitido o porte de arma mesmo fora do serviço para agentes penitenciários. Essa é uma carreira que, no Brasil, é bastante desestruturada. Em alguns Estados, os agentes são concursados. Em outros, são contratados de forma terceirizada. Em alguns locais, há um treinamento adequado. Em outros, não. Não são oferecidos bons salários, condições de trabalho. O porte de arma é quase um prêmio de consolação", critica. "E o porte de arma fora do serviço é útil para fazer bicos (de segurança). Mas é claro que os representantes das categorias não vão falar isso abertamente."
"Na perspectiva da segurança pública, (a extensão do direito ao porte de arma) é muito ruim. O Estatuto do Desarmamento tinha uma restrição clara, e o direito era só para quem trabalhava diretamente em segurança pública, em prevenção, trabalho ostensivo e investigação. Quando o porte é estendido para outras categorias, aumenta a violência, porque são mais armas em circulação e nas mãos de pessoas nem sempre preparadas para utilizá-las", argumenta.(F.G.)





