Entidades do Movimento Negro vão implantar no Paraná, no início do próximo ano, o SOS Racismo. O objetivo será esclarecer a população negra sobre seus direitos e informar como as pessoas devem agir caso se sintam ultrajadas, humilhadas, ofendidas ou agredidas em função de suas características físicas. Além de oferecer assessoria jurídica e psicológica para as vítimas, o serviço formará um banco de dados que vai permitir fazer estatísticas e mostrar a realidade no Estado com relação ao racismo.
O Movimento Negro promove hoje e amanhã várias eventos em função do dia 20 de novembro, aniversário de morte de Zumbi dos Palmares, morto em 1695 por soldados de tropas portuguesas. Além de um ato público previsto para as 18 horas de hoje, na Boca Maldita, em Curitiba, está programado o Seminário da Consciência Negra, que acontecerá às 19h30, no anfiteatro da reitoria da Universidade Federal do Paraná. Durante o evento, será lançada a revista ‘‘Pela igualdade de oportunidade para a população negra no mercado de trabalho’’, elaborada pela Comissão Nacional Contra a Discriminação Racial.
Segundo o advogado André Luiz Nunes da Silva, apesar de não existirem estatísticas sobre os processos por crime racial que tramitam no Estado, o racismo existente na sociedade está implicito no mercado de trabalho, na mídia, no atendimento ao público e relacionado também à violência policial. Em Curitiba, o Movimento Negro tem conhecimento de 12 processos em andamento. Ele lembra que o crime racial mais comum é o de injúria, quando o autor se reporta a cor ou a raça caracterizando discriminação racial. ‘‘Queremos atenção especial para as questões raciais’’, disse Silva.
Outra meta do Movimento Negro é incentivar as vítimas de crime racial a ingressar ação civil por reparação por danos morais, paralelamente à ação criminal. ‘‘A grande dificuldade nos processos desse tipo, entretanto, é apresentar provas concretas para comprovar o crime racial’’, explicou Silva. ‘‘Não é raro, inclusive, a vítima constatar preconceito por parte dos delegados na hora de registrar a queixa.’’

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