S.O.S. FERROVIAS - PARTE 2 - Para ex-funcionários, insegurança aumentou
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2005
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Maquinistas e funcionários que já saíram da América Latina Logística (ALL) reforçam denúncias dos companheiros que, por estarem empregados, não podem ser identificados. ''É triste ver como as coisas estão, a manutenção é muito deficiente, não tem nem comparação com o que era feito'', diz o ex-maquinista João Espedito Gregório da Silva, de 51 anos, referindo-se às turmas de via permantente - funcionários que moravam ao longo da linha férrea e eram responsáveis pela manutenção do sistema. Um esquema que era reforçado pelos vagões-alojamento.
''Em certos trechos, a empresa mandava vagões com 250 a 300 homens para arrumar o local'', diz Nelson Kirian, 48 anos, ex-supervisor da RFFSA. Além da estrutura, os ex-ferroviários questionam o que apontam como outro grande problema hoje: a formação profissional. ''Em Curitiba tinha o Dorival de Brito e aqui (em Ponta Grossa) tinha o Tibúrcio Cavalcanti, que formavam mecânicos, eletricistas''. Hoje, a ALL mantém apenas uma escola de maquinistas recém-instalada.
Desligado da ALL em 2001, Silva pegou a transição do sistema estatal para o privado. Para ele, o maquinista hoje trabalha sobrecarregado. A figura do auxiliar, que era também estagiário para maquinista, foi extinta. ''Pense bem, tocar até 14 horas sozinho, o risco de falha humana aumenta muito, deviam pagar auxílio-solidão'', ironiza.
''Imagine quando o vagão solta-se da composição, o que é comum; antes o ajudante descia, ia até o local e por rádio comunicava-se com o maquinista para alguma manobra. Hoje, o maquinista desce, deixa a locomotiva sozinha, vai até lá, vê o que aconteceu, volta, manobra e depois tem que ir até lá novamente para travar. Olha o tempo perdido'', emenda Kirian.
Silva, que trabalhou alguns anos na ALL, também questiona as modificações na segurança. ''Se a gente estava com três locomotivas em uma descida, para economizar combustível, a empresa mandava a gente desligar duas. Antes (na RFFSA) a ordem era apenas uma. Se a gente precisa de três para subir também precisa de três para segurar'', diz. A economia de combustível, aliás, é incentivada oficialmente pela ALL na Copa Diesel - que premia equipes com melhor desempenho.


