S.O.S FERROVIA - PARTE 2 Maquinistas confirmam defeitos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de fevereiro de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Depois de constatar os problemas na malha ferroviária, conforme reportagens publicadas ontem, na abertura da série ''SOS Ferrovias'', os repórteres da Folha procuraram alguns maquinistas para saber como é o dia-a-dia de trabalho deles. Muitos não quiseram dar entrevista. Dois aceitaram falar mas preferiram não ser identificados na matéria. Eles não são membros de nenhum sindicato.
''No tempo da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) tinha gente trabalhando o tempo todo em cima da via permanente. Agora, não. Hoje, fica gente remendando as partes com os maiores problemas'', contou um dos maquinistas. ''Eles chegam a trocar trilhos dos pátios, que estão um pouco menos desgastados, pelos dos trechos.''
O maquinista confirmou que todas as situações presenciadas pela reportagem são comuns em toda a malha e garantiu que isso acontece por falta de manutenção preventiva. ''O material das vias permanentes está boa parte podre, desgastado. Com chuvas, calor ou frio demais eles mesmos diminuem a velocidade do trem por causa do estressamento do material rodante'', contou o outro maquinista.
Um ex-funcionário da área administrativa da ALL, que também preferiu não se identificar, contou que a empresa tem um planejamento de investimento, mas boa parte dele é feito a partir das peças que podem estragar. Assim, quando elas não tiverem mais condições nenhuma de uso, seriam trocadas. ''Só que isso coloca em risco vidas de pessoas e o meio ambiente. Eles fazem só o básico.'' O ex-funcionário admitiu que o grande problema são mesmo os trechos e, assim como endossou um maquinista, as locomotivas recebem boa manutenção.


