SOS Criança atende em média 11 casos por dia
SOS Criança atende em média 11 casos por dia
As crianças de faixa etária entre zero a seis anos de idade são as que apanham com mais frequência dos pais. A coordenadora do SOS Criança, Graciela Maria Drechsele, diz que elas estão vulneráveis porque não têm capacidade física suficiente para se defender. Com 10 anos de experiência no setor de proteção a crianças em situação de risco social, Graciela acredita que os requintes de crueldade aumentaram desde que passou a trabalhar com os menores.
O SOS, que fica em instalações cujo endereço não são divulgados por medida de segurança, atende em média a 11 casos por dia. Só no mês de maio, das 182 ocorrências registradas, 54 eram relacionadas a agressões físicas. É comum as funcionárias enfrentarem situações em que a criança foi alvo de queimaduras com pontas de cigarro ou terem a pele marcada por hematomas provocados por pancadas desferidas com fios de eletricidade e arames. Nas dezenas de arquivos do SOS que historiam os casos, uma chama a atenção. Uma fotografia mostra a perna de um bebê de apenas três meses sendo examinada por um legista. Um corte profundo que circunda o tornozelo denuncia que a criança quase perdeu parte da perna quando foi atingida por um objeto cortante desconhecido.
O que mais espanta é a naturalidade com que os pais agridem os filhos. A vida perdeu o valor verdadeiro e eles acabam descontando em quem não tem culpa de nada, ressalta Graciela. Uma xícara derrubada no chão ou um choro mais forte já são motivos para os pais responderem com duras agressões. Segundo ela, a geração que está apanhando agora ficará mais violenta do que os próprios pais.
Para a coordenadora se não houver um trabalho de educação, o prognóstico para o futuro é o pior possível. Em Curitiba, aproximadamente 1.060 crianças vivem em abrigos oficiais ou Organizações Não Governamentais (ONGs) dedicadas à infância. As instituições abrigam menores de zero a 18 anos incompletos que foram molestados sexualmente ou ameaçados de morte pelos pais. Há ainda o caso de órfãos ou crianças que passaram a infância sendo constantemente agredidas. (D.V.)





