''Filho, tomando sorvete nesse frio? Larga isso, senão você vai pegar uma gripe!'' Provavelmente a maioria dos leitores já deve ter passado por esse tipo de situação durante a sua infância. Mas se o que transmite a gripe é um vírus, como atribuir a culpa a um simples sorvete? O problema é que o consumo de sorvete é contraindicado quando se está resfriado, gripado, com dor de garganta ou com a imunidade baixa.
Isso acontece porque a temperatura baixa faz com que os cílios das células entre o nariz e os brônquios movimentem-se menos. ''São esses cílios finos que trabalham na defesa do organismo e que carregam o muco em direção à garganta e ao nariz, mas quando eles se movimentam menos acabam dando o tempo para que os vírus e bactérias atinjam a garganta'', explica o otorrinolaringologista Lúcio Eidy Takemoto, de Londrina.
Além da queda de temperatura, outro problema que deve ser levado em conta são a poluição intensa e o ar com pouca umidade, que podem provocar irritação na garganta. Vale ressaltar que para quem está bem de saúde não será o inverno que irá impedir a pessoa de ingerir substâncias geladas. ''Se a pessoa está bem, não há problema em consumir um sorvete'', garante Takemoto.
Recomendação
O médico afirma que em alguns casos os médicos até recomendam o consumo de sorvete. ''Assim como os dentistas recomendam o consumo de sorvete quando se extrai um dente, nós também recomendamos quando a pessoa opera a amídala'', expôs. Ele justifica que substâncias geladas agem como vasoconstritores, ou seja, estreitam as artérias e diminuem o sangramento. ''Não é sempre que o sorvete é o vilão da história'', afirma.
Existem pessoas que são mais sensíveis a substâncias geladas e nesses casos não importa a estação do ano que a probabilidade de pegar uma gripe é a mesma se consumirem sorvetes ou bebidas geladas.
A otorrinolaringologista Rita de Cássia Guimarães, de Curitiba, aponta que há um grande número de pessoas que apresenta inflamações na amídala durante o verão devido ao consumo de sorvetes ou bebidas geladas. ''Se a criança possui sensibilidade, tanto faz se é verão ou inverno'', argumenta. Ela explica que diferentemente do que boa parte da população acredita, no inverno a maior incidência de doenças é de rinites, sinusites e otites, e não de amidalites e faringites.

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