Sorrisos metálicos sem preconceito
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de outubro de 1998
Anna Camanducaia 
Os sorrisos metálicos parecem ter se multiplicado nos últimos anos. Hoje, estão por toda parte. Na escola e no trabalho, o uso do aparelho ortodôntico não é mais exceção. Dentro da família, também não é raro mães e filhos serem companheiros de consultório. Um sinal de que hoje o aparelho está na boca de crianças, adolescentes e adultos. Está havendo uma conscientização da importância de se tratar a má oclusão, diz o presidente da Sociedade Paranaense de Ortodontia, Fábio Telles. A sociedade também está cobrando isso.
Noventa por cento da população apresenta algum tipo de má oclusão. O problema mais comum é a mordida cruzada. Também há o chamado over jet (dentes superiores projetados) e os problemas esqueléticos, como alteração no crescimento dos ossos crânio-faciais, entre outros.
As causas podem ser genéticas ou ambientais. Os maus hábitos geralmente são sucção prolongada de chupeta ou polegar, respiração bucal e alterações de língua e lábio. A má oclusão pode causar problemas nas artérias têmporo-mandibulares e dores de cabeça. Os adultos também usam aparelho, muitas vezes, para fazer prótese ou tratar a gengiva.
Segundo o ortodontista Wilson Miyazaki, o ideal é que a criança faça uma avaliação na fase da dentição mista, entre os seis e sete anos. Em alguns casos, o uso do aparelho é indicado mesmo antes da troca completa de dentes. Em outros, pode-se esperar a dentição permanente, por volta dos 11 e 12 anos, para se iniciar o tratamento. Quanto antes, menor o tempo e melhores os resultados. No adulto, o tratamento é mais limitado e lento.
A solução de problemas dentários ou dos ossos da face pode vir numa média de 24 a 30 meses. O ortodontista Écio Soares já fala em 20 meses por conta das novas ligas metálicas do arco. Elas têm alta memória elástica e conseguem manter o nível de força que o dentista introduz no início do mês, afirma Soares. Com as outras ligas, a força se dissipava em cinco ou seis dias.
O custo de um tratamento de 24 meses varia de R$ 1 mil a R$ 2 mil, em média. A manutenção chega a um salário mínimo (R$ 130,00), dependendo do consultório. A falta de tratamento pode gerar alterações nas artérias têmporo-mandibulares, na musculatura da mastigação, nos ossos, nos dentes (como desgastes), e na gengiva.
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