Com o estigma de ''país dos desdentados'', o Brasil começa a mudar essa imagem. Pelo menos foi o que revelou a Pesquisa Nacional de Saúde Bucal ''SB Brasil 2010'', realizada pelo Ministério da Saúde (MS) e divulgada recentemente. Ainda que o índice tenha caído apenas 0,7 ponto em sete anos, de 2,8 para 2,1, foi o suficiente para colocar o Brasil no grupo de países com baixa incidência de cáries, baseado no CPO (indicador composto pela soma dos dentes cariados, perdidos pela cárie e obturados) em crianças aos 12 anos.
''Este índice é melhor que a média dos países das Américas. Um ótimo resultado em pouco tempo'', comemora o coordenador do Programa de Saúde Bucal Gilberto Pucca. Para entrar neste rol, o CPO deve ser entre 1,2 e 2,6, de acordo com a classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O resultado da pesquisa mostrou ainda que o número de crianças de até 12 anos que nunca tiveram cárie na vida cresceu de 31% para 44%. ''Isso representa 1,4 milhão de crianças'', acrescentou. A pesquisa foi realizada em 177 municípios, divididos em 26 capitais e 30 municípios de cada região do país, além do Distrito Federal. As entrevistas foram feitas com cerca de 38 mil pessoas, divididas em cinco grupos etários. No Estado, 12 municípios participaram do estudo, entre eles Londrina, Curitiba e Arapongas (a cidade onde foi realizado o primeiro exame epidemiológico).
Se a redução do CPO na faixa dos 12 anos foi considerada grande, na faixa dos 15 aos 19 anos a queda foi ainda maior: de 6,1, em 2003, para 4,2, em 2010. Conforme a pesquisa, são 18 milhões de dentes que deixaram de ter cárie. Além disso, nesse grupo, 87% não teve perda dentária, fazendo que a necessidade de prótese parcial entre os adolescentes caísse em 50%.
Apesar da melhora, o País ainda enfrenta problemas no Norte, onde o número de crianças com dentes cariados aumentou. Também não foram bons os resultados relativos às crianças de 5 anos, que ainda têm dentes de leite. Verificou-se que cerca de 80% das cáries encontradas nessa faixa etária não foram tratadas.
Região Sul
Por ter sido estratificada apenas por regiões, não há informações específicas do Paraná. Mas, segundo Pucca, um dado relevante da região é que 20% das pessoas entrevistadas responderam que sofreram de dores nos dentes dois meses antes da pesquisa. ''Nas outras regiões, a média ficou em 26%.''
De acordo com Oswaldo Pires Carneiro Junior, coordenador regional da pesquisa, com o resultado nacional em mãos, um novo levantamento epidemiológico deverá ser feito em Londrina este ano.
Carneiro Junior comenta que apesar de não ter havido nenhuma pesquisa do tamanho da SB Brasil, os levantamentos epidemiológicos feitos em Londrina já apontavam índices abaixo das metas preconizadas pelo MS e da OMS. ''Em 2004, nosso CPO era de 0,97. O número já revelava um declínio da doença da cárie na população infantil notadamente na dentição permanente.''

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