Sorriso metálico, e seguro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Ninguém gosta de colocar aparelho ortodôntico. Entretanto, tolera-se o ''sorriso metálico'' em nome do claro benefício: corrigir a posição dos dentes. Porém, o tratamento pode se transformar em um verdadeiro pesadelo se não for escolhido um profissional competente.
O vice-presidente da Associação Paranaense de Ortodontia e presidente do Grupo Brasileiro de Professores de Ortodontia e Odontopediatria, Alexandre Moro, relata que aproximadamente 30% dos pacientes que procuram sua clínica vêm com o objetivo de reparar tratamentos ortodônticos errados.
''Muita gente que coloca aparelho não é especialista. Há uma falha na legislação: quem não tem pós-graduação em ortodontia não é impedido de colocar aparelho ortodôntico em um paciente. Assim, muita gente com apenas um treinamento de um mês faz procedimentos desse tipo. Fazer tratamento com aparelho ortodôntico não é só colocar bráquete: o profissional tem que ter planejamento, saber o que vai fazer'', critica Moro.
O ortodontista aponta que outro complicador é que nos últimos anos o número de cursos de pós-graduação em ortodontia aumentou bastante, e muitos não são de qualidade. ''Em Curitiba, até 1996, havia apenas três cursos. Hoje, são 18'', descreve o especialista.
Ele cita que os danos causados por tratamentos errados são pessoais, já que o paciente fica frustrado por não alcançar a meta, financeiros e, mais grave, de saúde: procedimentos equivocados podem causar perda de dentes, reabsorção de raízes e problemas na gengiva.
''Nos Estados Unidos, você não vê cursos de pós-graduação fora de universidades. No Brasil, isso é muito comum. O poder público defende que o mercado regula esse tipo de questões, mas não é bem assim'', argumenta Moro.
O ortodontista dá algumas dicas para quem necessita fazer um tratamento: comprovar no Conselho Regional de Odontologia (CRO) se o profissional é especialista; buscar referências sobre ele; fazer documentação completa; e desconfiar dos ''apressadinhos''. ''Se o sujeito quiser meter um aparelho de cara, pode ter certeza de que tem alguma coisa errada'', alerta.


