Soropositivo sofre diariamente com a falta de medicamentos Érika Pelegrino de Londrina Adriana Xavier, 27 anos, convive diariamente com a exclusão em diferentes esferas. Na econômica se depara com a miséria da fome: desempregada, viúva e com três filhos – 10, 11 e 12 anos – depende de doações para alimentar a família. Na social, sofre com o que considera a pior situação imposta ao ser humano: a morte social, fruto do preconceito e da discriminação. Ao se descobrir com Aids, Adriana Xavier se deparou com mais uma forma de exclusão: a negligência a um direito que pode lhe assegurar um tempo maior de sobrevida – acesso aos medicamentos. A angústia de Adriana, e de muitos outros soropositivos que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), está no fato de nunca saber se conseguirá os medicamentos profiláticos usados na prevenção das infecções oportunistas. Deixar de tomar um profilático pode significar uma mudança de terapia, o que implica em mudar os remédios antiretrovirais (usados no combate ao vírus). ‘‘Só que são poucas as opções de terapia. Eu já estou na terceira, depois desta só a terapia de resgate, que significa a morte, porque depois dela não tem mais nenhuma’’, afirma. Durante um ano Adriana Xavier ficou sem tomar o ácido folínico importante no combate da anemia medicamentosa. ‘‘Se eu tivesse tido uma anemia profunda teria que ter substituído o AZT (antiretroviral), diminuindo minhas opções de terapias futuras.’ Quinta-feira Adriana conseguiu um frasco com 30 comprimidos do ácido folínico, mas não sabe se no próximo mês encontrará o remédio, que nas farmácias custa R$ 200,00. ‘‘A minha vida para eles (Estado e Município) não vale nada. Mas para meus filhos é muito importante. Preciso me manter viva durante o maior tempo possível, porque depois quem vai cuidar deles?’, desabafa.