Soroban e a arte de calcular em segundos
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quinta-feira, 08 de agosto de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - "Mais um, mais um, mais um". Assim foram os gritos dos alunos de um colégio de Londrina, logo após o término de uma apresentação no palco. O que impressiona é que o "show" não era musical. Os estudantes pediam bis para uma adolescente de 16 anos, que fazia contas de somar. Mas o que levou esses jovens a ficarem fascinados por uma apresentação de cálculo, já que a Matemática é uma disciplina considerada por muitos o calcanhar de Aquiles?
A adolescente em questão é Amanda Carolina Kavauchi de Freitas, campeã brasileira de soroban, uma espécie de ábaco que foi desenvolvido há 2,5 mil anos no Japão. O instrumento até hoje é adotado no Japão pelas escolas, por comerciantes, órgãos públicos e instituições financeiras. A desenvoltura de Amanda diante do soroban impressionou os alunos do Colégio Mãe de Deus porque as contas de somar foram feitas com números na casa dos bilhões quase que instantaneamente. Era o tempo dos números serem ditados e, dois segundos depois, Amanda já escrevia o resultado em uma folha de papel sulfite.
Até mesmo quem estava acompanhando as contas com uma calculadora teve dificuldades para inserir todos os números na mesma velocidade que eram ditados. Amanda, por sua vez fazia isso de maneira natural. Ela também era capaz de fazer a soma de dez números com dois algarismos cada mentalmente, sem precisar usar o ábaco.
Ana Letícia Odebrecht Nassif, de 8 anos, foi uma das voluntárias que ditou os números para Amanda. "Foi muito legal. Achei que ela fez as contas muito rápido", destacou. Ela relatou que usualmente faz contas "a mão" e de vez em quando faz uso de calculadora. "Seria muito bom se eu pudesse fazer as contas de cabeça como a Amanda fez", declarou.
Alunos do 9º ano também ficaram impressionados com a velocidade com que Amanda realizava a operação matemática. Beatriz Colombelli, de 14, classificou a desenvoltura da campeã brasileira como "impossível de ser realizada". "Se eu tivesse que fazer a mesma conta sem uma calculadora eu levaria no mínimo uns cinco minutos", comparou.
A campeã brasileira na categoria Dan é natural de Bastos (SP) e revelou que quando começou a estudar o soroban, aos 6 anos, não gostava de matemática. A receita para essa desenvoltura, revelou ela, é se concentrar e dedicar três horas por semana para praticar o uso do ábaco.
O supervisor geral do Colégio Mãe de Deus, Geraldo Luiz de Souza, destacou que em 2014 a instituição oferecerá o ensino do uso do soroban no contraturno, sendo associado aos jogos cooperativos de tabuleiro. "Esta associação ajudará os alunos a desenvolverem o raciocínio, a sociabilização, o raciocínio lógico e trabalhar em grupo. Isso ajudará a enfrentar desafios que serão exigidos ao longo da vida", destacou. Ele afirmou que a opção pelo soroban reside na origem milenar do instrumento, que está na base da educação dos povos orientais. "Nós, ocidentais, estamos habituados ao uso das mesmas ferramentas e não reconhecíamos as que são utilizadas em outras culturas", analisou. Ele explicou que hoje as pessoas estão muito dependentes da tecnologia, mas ressaltou que o uso do soroban demonstra que, na verdade, a tecnologia está dentro do ser humano.
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- Contas são deslocadas para cima ou para baixo


