Londrina - Último dia de provas, o cansaço da noitada estampado nos olhos e Roberto procura forças para levantar da cama e buscar a vaga para o curso de direito. O resultado das primeiras provas não é muito animador, mas quem sabe ele consegue ''gabaritar''. Sonhando com o milagre quase impossível ele pega o ônibus rumo à universidade. Chegou cedo ao local das provas e sentou no meio-fio. O estômago insistia em avisar que estava vazio e Roberto acabou comendo um lanche para enganar.
As portas se abrem e ele caminha para a sala. A prova chega, ele assina e começa a ler. Nada parece fazer sentido e Roberto começa a marcar B, C, E, conforme lembra do nome de suas namoradas, Beatriz, Camila, Elen. O nome da última, Sandra, provoca certa confusão, não existe a opção S. Mas ele não perde muito tempo e marca logo A, a segunda letra. A sequência é repetida até o fim, e após uma hora ele sai do local de provas. ''Acho que não foi dessa vez'', pensa consigo. ''Mas quem disse que eu queria ser advogado'', tenta justificar.
Buscando ''salvar'' o dia, ele vai para o shopping com os amigos. Movimento, gente bonita, alegria. Logo Roberto esquece o fiasco das provas e começa a rodada de chope com os amigos. A roda vai crescendo, meninas se juntam à festa e Denise puxa papo. Conversa vai, conversa vem e ela pergunta:
- Você prestou o que?
- Direito - responde sem muita animação.
- Eu também, no primeiro dia acertei 80% das questões e quase gabaritei a prova de português. E você, foi bem?
- Acho que sim, vamos ver... - resmunga.
A festa continua e o assunto toma outra direção. Já não dá mais para lamentar pela falta de preparo. ''No ano que vem vou estudar'', promete em silêncio. Denise continua a falar, só parando para alguns chamegos. Roberto retribui. ''Pelo menos, se eu não cumprir a promessa, terei mais uma letra para marcar no gabarito do ano que vem. D era a única que faltava na minha combinação'', recorda entre um gole e outro. E que venha janeiro de 2004.

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