SOP atinge 20% das mulheres em idade fértil
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sábado, 10 de dezembro de 2011
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Ganho de peso, acne, manchas escuras nas axilas, excesso de pelos nas costas, no rosto e no seio intermamário. Esses são apenas alguns dos sinais que as adolescentes e jovens devem ficar alertas, quando o assunto é a Síndrome do Ovário Policístico (SOP). O problema acomete cerca de 20% das mulheres em idade fértil e pode ser causa de infertilidade e várias doenças que afetam todo o organismo.
''Antigamente, imaginava-se que a Síndrome do Ovário Policístico só deveria ser tratada quando a mulher fosse mais velha e quisesse ter filhos. Mas, hoje, é comprovado que o diagnóstico e o tratamento precoce podem evitar diversas complicações para a saúde, entre elas, a infertilidade e o desenvolvimento da Síndrome Metabólica'', esclarece o ginecologista e obstetra de Londrina, Dalmo Borges. Segundo ele, problema tende a se desenvolver na adolescência, a partir do funcionamento dos ovários.
Borges acrescenta que, embora ainda não haja um consenso sobre o fator decisivo para o desencadeamento da síndrome, já se sabe que um dos sinais que apontam a presença do problema e a necessidade de investigação é o aparecimento de pelos em locais incomuns (hirsutismo). Isso em decorrência do aumento desproporcional da produção de hormônios masculinos.
Segundo o obstetra, este excesso de hormônio androgênico nos ovários faz com que haja a suspensão da maturação do óvulo, que acaba ficando retido no ovário. ''Questionar se essa alta é o motivo ou a consequência do problema soa como a pergunta sobre quem veio primeiro: o ovo ou a galinha'', completa ele, afirmando que ainda há muito o que descobrir a respeito da SOP. ''O que sabemos, por enquanto, é que alterações genéticas estariam por trás da doença. Essa mulher teria alguma alteração genética, que seria responsável pela resistência à insulina, hormônio que controla os níveis de açúcar no sangue.''
Dessa forma, o distúrbio levaria à síndrome metabólica e um ''pacote de encrencas'', como obesidade, gordura abdominal, colesterol e triglicérides alterados, pressão alta e diabete, responsáveis pelo surgimento de doenças cardiovasculares.
É por isso que, assim que diagnosticada, por meio de um exame de ultra-som, da constatação da irregularidade do ciclo menstrual e do aparecimento de características masculinas, o tratamento engloba a obrigatoriedade de seguir hábitos saudáveis, além do uso de pílulas anticoncepcionais, metiformina e indutores à ovulação, dependendo de cada caso.
''Orientamos que a paciente tenha uma dieta pobre em calorias, porque isso vai diminuir a síntese de insulina e a produção de hormônio androgênico'', afirma o médico. ''Além disso, orientamos também que ela pratique de exercício físico, porque, juntamente com a medicação, eles irão atuar na diminuição a resistência insulina.''
De acordo com o o médico, quando constatado o problema, o tratamento dura até a menopausa, mas de acordo com ele, em alguns casos, o problema pode ser reparado pelo organismo após a primeira gravidez, desde que a mulher mantenha hábitos de vida saudáveis.


