Sonhos embalados pelo artesanato
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sexta-feira, 09 de julho de 2010
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
A grande paixão pelo artesanato, a disposição para trabalhar e a plantação de bananeiras que ocupa parte da chácara da família mudaram, há uma década, a vida da mineira Maria José Teixeira Lopes, de 59 anos. Agora, a moradora do Patrimônio Selva (Zona Sul de Londrina), que ficou conhecida por transformar fibra de pé de banana em objetos originais, sente que um novo ciclo está começando e que pode, mais do que antes, transformar a realidade local.
Munida apenas de intuição, a mulher de vida simples, pouco estudo e mãos judiadas, resolveu emprestar dinheiro em um banco e ergueu um forno em seu quintal para secar o material que considera precioso. Descobriu que a fibra fica com aparência ainda mais bela e torna-se mais interessante em termos comerciais, porque tem o processo de secagem abreviado e pode ser usada na produção de móveis. ''Eu nasci de novo. Parece que só agora estamos começando para valer'', empolga-se.
A construção do forno a lenha custou R$ 2.950,00 à artesã, que vai pagar o investimento em 60 meses. ''Agora é trabalhar para pagar. Mas não me arrependo. O resultado tem sido muito bom.'' Solidária, Maria sonha com o dia em que as cerca de 20 pessoas envolvidas no trabalho - incluindo os que vão até os bananais cortar os pés que não produzirão mais frutos, os que cortam os pedaços de madeira que servem de base para cachepôs e outras peças decorativas e as mulheres encarregadas de trançar as fibras - consigam obter renda suficiente para uma vida digna.
''Tem que enfrentar o trabalho pesado'', diz, mostrando as mãos ásperas e escurecidas pela nódoa. Segundo a artesã o maior mercado para o resistente material está nos objetos de decoração, mas ela mostra, orgulhosa, os pedaços largos e uniformes da fibra que tem conseguido obter após o ''cozimento'' no forno. ''Antes, quando colocávamos para secar no sol, ficava tudo retorcido e não tínhamos esta maciez. Agora, que também é possível obter tiras mais largas, dá para vender a indústrias de móveis.''
Além de intuição, é a experiência que embala os sonhos de Maria. Nascida em Minas Novas, na Zona da Mata de Minas Gerais, veio com a família para o Paraná aos 12 anos, e soube desde cedo que a natureza pode ser a maior aliada da sobrevivência. ''Meu pai era um grande artesão, transformava qualquer pedaço de madeira em gamelas e outros objetos. Nós não tínhamos cama, dormíamos em esteiras de fibra trançada. Hoje eu sei que até a bananeira podre pode se transformar em papel.''


