Sonhos e decepções de uma professora
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terça-feira, 19 de março de 2002
Gilmar Agassi Equipe da Folha 
Cascavel Naquela pequena cidade do oeste paranaense, uma das alegrias de Clara era frequentar a escola. Desde a infância, seus pais lhe mostraram a importância de ir bem nos estudos, único caminho para alcançar um futuro melhor. Na sua infância, o ambiente estudantil era caracterizado pela ordem e disciplina.
Os professores eram exigentes, mas sempre tiveram o respeito e a admiração dos alunos. A vida na escola fez nascer naquela jovem o desejo de ser professora. Queria imitar os seus ídolos, isto é, os seus mestres.
Logo que terminou o 2º grau, mudou-se para Cascavel, onde cursou História em uma universidade pública. Foi uma época de muito crescimento. Morava numa cidade maior, fazia novas amizades e, acima de tudo, estava a caminho de realizar seu grande sonho.
Pouco tempo depois de concluir o curso superior, Clara conseguiu seu primeiro emprego em um colégio público municipal. Seu sonho havia se concretizado, tendo, portanto, todos os motivos para estar feliz. Mas o que deveria ser sua realização passou a ser o seu martírio.
A realidade escolar com a qual se deparou era muito diferente daquela dos tempos em que estudava. Suas turmas eram numerosas e os alunos, terrivelmente indisciplinados. Não conseguia repassar o conteúdo de sua disciplina e, sempre que pedia silêncio, era hostilizada.
Para conter os hábitos daqueles estudantes, a professora buscava encontrar soluções através do diálogo com o diretor. Mas este sempre lhe culpava, alegando que não tinha didática para mantê-los em silêncio durante a aula.
Consumida pelo estresse e pela desilusão profissional, Clara passou a ter fortes crises de depressão. Ser desrespeitada pelos alunos, sem receber o apoio da escola, sem ter a proteção do sistema educacional e ganhando um baixo salário eram situações para as quais ela não estava preparada.
No dia a dia, o único apoio que sentia era do convívio com outros professores, todos acostumados às mesmas dificuldades. A esperança de Clara é que haja uma mudança no sistema educacional, no qual os docentes voltem a ser respeitados, exatamente como eram aqueles professores da sua infância. E, para os alunos, ela sonha com o dia em que eles também entendam a importância do estudo e dos professores em sua vida futura.


