Sonho na ponta dos pés
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Micaela Orikasa<br>Reportagem local 
A delicadeza e a disciplina comum às bailarinas são características marcantes na jovem Carolina Zaborni Oliver e Silva, que, aos 15 anos, frequenta a mais rígida escola de balé no Brasil: a Escola do Teatro Bolshoi, em Joinville (SC).
Tarefa árdua, mas compensada pela realização de um grande sonho de menina. A mãe, Carla, conta que apesar de sempre gostar de balé, nunca conversou a respeito com a filha. ''Um dia ela disse que queria aprender a dançar. Fizemos a matrícula na Fundação Cultural e Artística de Cambé (Funcac) e tudo foi acontecendo de forma natural, mas muito rápido'', comenta.
Com um talento nato, Carolina não demorou a se destacar no balé clássico e decidir o próximo passo. ''Um dia fui em uma apresentação do Bolshoi em Londrina e tive a certeza de que era aquilo que queria para minha vida. Fiquei emocionada com os gestos, a música, o figurino, tudo'', diz ela, que logo após a apresentação teve uma grande surpresa.
Ao subir ao palco para tirar fotos com o elenco, foi abordada por um diretor que a convidou para participar da seleção para alunos bolsistas. ''Foi a oportunidade que precisava. Participei em Ibiporã e em Joinville, e fui escolhida entre as seis meninas que competiam na minha faixa etária'', revela.
O sonho, alimentado por mais de 500 jovens bailarinos que participaram das seletivas, estava realmente reservado a Carolina. Hoje, três anos depois, a rotina da jovem é focada na busca da perfeição da técnica russa, que ela mesma descreve como difícil tarefa.
''No começo, sofri muito para me acostumar a ficar longe dos meus pais e me adaptar às aulas, que exigem flexibilidade e perfeição, além de rígida disciplina'', conta ela. Carolina aproveita as férias para descansar em Cambé, ao lado da família e dos amigos.
''É muito bom estar em casa e rever as pessoas que gosto, mas confesso que já quero voltar, pois estou sentindo falta de dançar'', diz ela, que mora na Casa do Balé em Joinville, com outros 230 alunos de todo o País. As despesas para manter Carolina na escola não são poucas e, portanto, a família busca patrocínio.
Saudades
Os pais contam que no início ficaram assustados com a independência que a filha teria aos 13 anos. ''Conversamos com outros pais, visitamos a escola e apostamos no talento dela. Sabíamos que ela estava feliz e realizada. Foi isso que nos ajudou'', revela o pai Agnaldo.
Mesmo sabendo que restam cinco anos de pura dedicação, Carolina não pensa em desistir. ''Tenho aulas a manhã inteira. Estudo piano e teorias da dança, além das aulas práticas e ensaios. À tarde, frequento a escola regular e, à noite, às vezes ensaiamos novamente. É uma rotina apertada, mas que irá me ajudar a realizar o grande sonho de dançar fora do país, integrando o elenco do Bolshoi na Rússia'', afirma.
''Já tive várias lesões e machucados, mas nada tira minha vontade de ser uma bailarina profissional'', conta ela, que em duas semanas, retorna aos palcos de Joinville e, quem sabe, daqui alguns anos, estará nos maiores teatros do mundo.
Serviço:
Fone para contato é (43) 9118-6110


