Eles deixam familiares, amigos, costumes. Uns vêm de longe, de outros continentes; outros de lugares mais próximos, mas a distância pouco importa. Para eles, investir nos estudos e conquistar um diploma brasileiro faz a saudade da terra natal valer a pena. São os intercambistas, que todo ano ingressam na Universidade Estadual de Londrina (UEL) através do Programa de Estudantes - Convênio de Graduação (PEC-G), que garante uma bolsa de estudos do governo brasileiro ou do país de origem dos alunos.
''Quando concorri à bolsa de estudos no Brasil, não achei que viria para Londrina, até porque nunca tinha escutado falar daqui. Achei que seria mais fácil estudar em grandes capitais, mas acabou dando certo e eu ingressei na UEL. Hoje, vejo que foi o melhor'', diz Marilia de Fátima, 19 anos, estudante do primeiro ano de Ciências Econômicas.
Nascida em Luanda, capital de Angola, na África, Marilia conta que ao chegar ficou admirada com o tamanho da universidade. ''Na minha cidade não tem tanto espaço verde como aqui'', comenta ela, que também não imaginava que os londrinenses fossem tão receptivos. ''Achei que iria me sentir sozinha e tive muito receio de ser discriminada, mas acabei me surpreendendo. Me senti acolhida pela cidade e pelos moradores. Acho que é justamente essa sensação que não me deixa sentir tanta falta de casa'', confessa.
Marilia conta que em Luanda o clima é extremamente quente e os estudantes vão vestidos formalmente para as salas de aula. ''Estas foram duas diferenças que mais surpreenderam, além, é claro, da alimentação. Ainda não me acostumei a comer arroz e feijão todos os dias'', brinca. Mas em relação à língua, a estudante garante que já tirou de letra. ''O idioma é o mesmo. Apenas algumas palavras são empregadas em diferentes contextos, mas isso é fácil'', diz.
Já para Hemerson Abibe, 23 anos, a comunicação não foi um assunto tão fácil de ser resolvido. ''Se for o português bem falado e pausado, eu entendo bem, mas quando começam as gírias, complica tudo'', conta. Decidido a ingressar no curso de Administração, Abibe deixou a terra natal, Guiné Bissau (África Ocidental) pensando na experiência que ganharia ao estudar no Brasil. ''Todos os dias aprendo algo novo e conquisto novas amizades. Agradeço muito por estar aqui'', justifica.
Aluno do segundo ano, Abibe confessa que por enquanto, prefere não planejar o futuro. ''A princípio, a idéia é me formar e voltar para Guiné, mas como o futuro é incerto, tento não pensar muito nisso'', afirma. Para matar a saudade da família e dos amigos, o estudante diz que só pode contar com o telefone e a internet.
Assunto que o aluno José Manuel Salinas afirma ser bem mais fácil de resolver. Vindo de Assunção, capital do Paraguai, o estudante do terceiro ano do curso de Música, diz que tem o privilégio de passar as férias com a família. ''É bem mais perto, né?'', reconhece Salinas, que já havia morado no Brasil anteriormente. ''Estudei em um conservatório de música, no interior de São Paulo. Por isso, vir para Londrina foi tranquilo'', diz.
Mas mesmo assim, Salinas não deixa de ser novidade para outros estudantes. ''Eles sempre me perguntam sobre o Paraguai, as músicas, as comidas. De tão curiosos, nas últimas férias levei vários amigos para passear no meu país. Tentei mostrar que o Paraguai não se resume somente a bugigangas, mas que tem diversos atrativos'', conta.
Histórias como as de Marilia, Abibe e Salinas não são as únicas. Eles, na verdade, representam os 24 alunos intercambistas que atualmente estudam na UEL. De acordo com o professor Eduardo Barros, da Assessoria de Relações Internacionais (ARI) da UEL, o número de estrangeiros cresceu este ano. ''Cada curso oferece um número de vagas para intercambistas. Nesta administração, foi criada a Central de Intercâmbio, que possibilitou a ampliação das vagas'', afirma. Atualmente a UEL possui convênios firmados com 25 universidades da Europa e América Latina.

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