A época de ouro do café trouxe milhares de migrantes e imigrantes de diversas partes do País e do mundo para tentar a vida em Londrina. Muitos se deram bem e estabeleceram-se na cidade, onde vivem até hoje. Atualmente, a história se repete. Muitos ainda vêm de outras regiões para buscar trabalho por aqui. E na maioria das vezes dependem da vontade de alguns bons samaritanos para sobreviver enquanto não conseguem um lugar ao sol.
Pobreza, sofrimento, luta e superação. Essas quatro palavras resumem a história de muitos migrantes que tentam a sorte em Londrina e acabam precisando do auxílio da Casa do Bom Samaritano. Relatos com o do agora saqueiro Laerte Jesus Frioli, 38 anos, natural de Sorocaba, no interior de São Paulo.
Para Frioli, a pobreza extrema tornou-se ainda mais dramática, uma vez que as dificuldades financeiras são uma ''novidade'' na vida dele. Frioli já teve casa própria, mas perdeu tudo por causa de pendências judiciais. O resultado foi uma vida de nômade, trabalhando como caseiro em chácaras em cidades paulistas e paranaenses.
''Só quero uma chácara para trabalhar e uma casa para morar. Não quero cair na favela ou nos sem-terra. Quero dar uma vida melhor para a minha família'', declara Frioli, cuja esposa e filha de três meses estão abrigadas em outra entidade social da cidade.
Para muitos dos assistidos, o simples fato de ter um teto para proteger o sono já é um alívio. Os abrigados da Casa do Bom Samaritano, como o pedreiro Luís Antonio Teixeira, 48, consideram a falta de um lar o maior dos sofrimentos.
''Morava com minha irmã, mas tive que sair da casa. Aí fui para a rua com a roupa do corpo. Eu sobrevivia pedindo. Às vezes, alguns davam comida'', relembra o trabalhador, que lamenta não conseguir ocupação na construção civil com registro em carteira.
O espírito de luta também é comum a muitos dos moradores da casa. Aos 34 anos, Nilton Saraiva é um exemplo disso. Ele já trabalhou como servente de pedreiro, saqueiro, encanador e orientador de trânsito. Hoje, faz bicos na construção civil e, nos dias de sorte, consegue ganhar até R$ 25,00 por mais de oito horas de trabalho. ''Vim de Curitiba e estou buscando um emprego fixo. Lá também está muito difícil'', lamenta.
Mas nem todas essas dificuldades são suficientes para desanimá-los. A superação é praticamente uma necessidade para muitos deles. Tanto que levou alguns dias para vir de Curitiba para tentar a sorte em Londrina. Uma distância vencida com muita dificuldade.
''Caminhei muito, peguei carona e ganhei passagem da assistência social em alguns trechos. Ia parando nos postos para tomar banho e ganhar alguma comida. Mas não sou de correr trecho, não. Minha intenção agora é parar e conseguir um emprego definitivo'', garante Saraiva. Emprego que é o sonho deles e de muitos outros migrantes que, bem ou mal, são acolhidos em Londrina todos os dias.

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