Sonho da casa própria vira drama
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quarta-feira, 25 de agosto de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Para a dona-de-casa Neusa Maria Trindade, 45 anos, o dia de amanhã pode ser um dos mais felizes da sua vida. Mas também poderá significar mais uma grande decepção. Ela é uma das contempladas com uma casa do Conjunto Jamile Dequech II, onde a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab/Ld) desenvolve o Plano de Subsídio Habitacional de Interesse Social (PSH). O problema é que Neusa, mesmo com o contrato já assinado com a Cohab e Caixa Econômica Federal, ainda não conseguiu entrar em sua nova casa.
A unidade destinada a ela é uma das quatro ocupadas irregularmente no local. Depois de muita espera, ela recebeu da Cohab a informação de que a casa será desocupada hoje. ''Eu sei que a pessoa que entrou na minha casa também enfrenta dificuldades, mas eu tenho passado muito nervoso com tudo isso'', afirmou a dona-de-casa. Depois de morar grande parte de sua vida em casa alugada na Vila Brasil (Área Central), ela teve que ir com a família, há três anos, para um barraco erguido em cima de um barranco no Jardim União da Vitória (Zona Sul).
A mudança para a periferia coincidiu com um derrame, e na mesma época Neusa foi submetida a cirurgia cardíaca. A recomendação médica é que não faça grandes esforços físicos, mas a subida íngreme para chegar à casa e as caminhadas três vezes por dia para levar os filhos e sobrinho à escola, no Jamile Dequech, são inevitáveis.
''No dia em que fiquei sabendo que havia sido contemplada, fiquei superfeliz, todo dia ia lá ver minha casinha. Mas aí, num feriado que estava muito frio não fui, e a casa foi invadida'', conta. Ontem ela começou a se preparar para a tão sonhada mudança.
A diarista Cleusa Macegoza da Rocha, 38 anos, que ocupou a casa de Neusa, informou ontem à tarde que pretende deixar o imóvel, mas vai ocupar outro. Cleusa argumenta que teve que deixar de trabalhar para cuidar de um neto de 10 meses e não tem mais condições de pagar aluguel.
Das 241 casas já construídas pela Cohab no local ainda faltam 23 para serem erguidas mais de 30 estão fechadas. Entre elas está a de Luzia Ribeiro dos Santos Izidoro, 46 anos, moradora do Jardim Monte Cristo (Zona Leste). Luzia informou, ontem, que deverá ir amanhã à Cohab para assinar a documentação abrindo mão do imóvel. ''Não gostei do lugar. É uma buraqueira só e a casa é muito pequena. A gente mora aqui faz muito tempo, conhece todo mundo, e além do mais é mais perto do Centro, onde meu marido trabalha'', justifica.
Luzia e o marido moram com três netos e dois filhos em uma casa de dois quartos, sala, banheiro e cozinha, construída precariamente, em chão de terra batida. As casas da Cohab têm um quarto, banheiro, sala/cozinha e são de alvenaria.
Entre as outras casas fechadas no Jamile Dequech II, várias, segundo os moradores, são de pessoas que estão tentando vender o imóvel. Para a Cohab, os chamados ''contratos de gaveta'' são inevitáveis. ''Esta prática também é comum no Sistema Financeiro de Habitação. O que fizemos, desde o começo, foi informar que trata-se de irregularidade'', afirma o presidente da Companhia, Carlos Eduardo Afonseca. Ele pede que as pessoas denunciem este tipo de problema para que os contratos sejam suspensos.


