''Somos uma sociedade da imagem''
O psicanalista Marcelo José de Castro analisa que é cada vez mais frequente a busca pela imagem do sexo - seja na internet, revistas ou filmes - e isto é inerente à cultura ocidental. ''Somos uma sociedade da imagem. Além disto, o homem naturalmente tem essa necessidade visual mais estimulada que a mulher''.
Nem por isso, ele defende que tal busca, feita em espaço público - como é o caso de uma lan house -, deva ser incentivada ou reprimida. ''Não devemos entrar em um julgamento moral. Este é um espaço que as pessoas, especialmente os homens, encontram para extravasar o que é inconfessável. Não é muito diferente daquela cena do menino, com revistinha, escondido da mãe no banheiro'', esclarece.
Castro explica que algumas pessoas que frequentam esses cybers, além de consumir a imagem virtual, querem ser uma imagem para o outro. ''É onde entra o exibicionismo. Ele não liga que outras pessoas vejam o que ele vê. O que acontece é que o cara pode ter o fetiche que quiser, mas não deve extrapolar o limite do outro''. Para demarcar esta linha tênue, ele acredita que é preciso o uso da legislação vigente. ''Deve haver normas para evitar que uma criança ocupe o mesmo espaço que um marmanjo a fim de ver pornografia'', acredita.
Entretanto, o que chama a atenção do médico é que muitos adultos não têm conseguido assumir a própria maturidade. ''Casos assim, no meu ponto de vista, se relacionam mais com a infantilidade que com a moralidade. Esses homens têm dificuldade de ser adultos capazes de assumir as próprias vontades. Querem ser o eterno filho. Seja da própria mãe, ou da esposa. Se colocam como o irmão mais velho dos filhos, enquanto a mulher, por sua vez, não consegue deixar de assumir esse papel maternal'', esclarece.
Para quem vai em busca desta forma de prazer visual, o especialista dá uma dica: ''O que é preciso ficar atento é se a pessoa vai à lan house, passa o tempo que quiser, mas continua tendo relacionamentos sociais reais com naturalidade. A partir do momento que a virtualidade sacrifica relações reais, aí a lâmpada amarela acende''.(G.B.)





