'Somos uma força que precisa ser respeitada'
Para quem participou do movimento por melhores salários na PM, como Vera Lúcia Rubbo, 39 anos, esposa de um sargento e mãe de três filhos, o 15 de maio vai ficar para sempre na memória. Vera deixou o trabalho de lado, chamou a mãe para cuidar das crianças e se dedicou integralmente à causa.
Foi para a frente do batalhão, acampou com as companheiras em barracas, passou frio e fome, enfrentou chuva, ficou cinco dias em vigília e negociou. Um mês depois, quando o governo do Estado não cumpriu o prazo dado às esposas para a negociação, foi para Curitiba e foi agredida pela Tropa de Choque.
Mesmo traumatizada por ver companheiros marchando em fileiras para tirá-las dali, e sem nunca esquecer o rosto do capitão que a espancou, Vera acha que valeu a pena todo o sacrifício. Hoje, o comando da PM e o governo sabe que somos uma força que precisa ser respeitada. Mesmo que o resultado prático tenha sido pequeno, há um respeito que não existia antes.
Segundo ela, o principal motivo de toda essa acessibilidade é o fato de o comando da PM saber que o movimento não acabou. Vera reconhece que a perseguição que os maridos sofreram depois quebrou a resistência de algumas das participantes e que hoje seria mais difícil repetir a proeza de fechar quartéis. Mas não é impossível. Se mexerem com nossos maridos e filhos, vamos reagir.
Na opinião de Vera, o principal ganho é que hoje as mulheres estão mais conscientes e têm uma visão maior sobre seu poder. Nós nos preparamos, neste ano de eleições, para dar uma resposta ainda mais eficiente que bloquear quartéis. Nós não esquecemos quem nos ajudou, quem lutou do nosso lado e quem se omitiu, afirma.
Vera lembra que, entre ativos e inativos, existem mais de 25 mil PMs no Estado. Se contarmos as esposas, famílias e amigos, podemos multiplicar esse número por 10. Um bom número de eleitores, não?





