Newton Myabe tem 33 anos e é casado há dez. Sempre sonhou em ser pai. Após vários tratamentos para engravidar, o casal partiu para a adoção. Foram dois anos de espera. Primeiro chegou Júlia, com quase dois meses. Eles ficaram felizes e pensaram que a próxima adoção demoraria pelo menos alguns anos. Mas, logo depois, surgiu a oportunidade de adotar Felipe, com duas semanas.
Myabe não teve dúvidas: seria pai das duas crianças. ''Antes da adoção ficamos com medo, preocupados em como será esse filho, como a genética vai influenciar. Quando vemos a criança e sabemos que pode ser nossa, a paternidade já acontece em nossa vida. Eu olhei para a Júlia e vi minha filha. Olhei para o Felipe e vi que era meu filho.''
Hoje a menina está com um ano e o menino com oito meses. ''As pessoas se assustam pela pouca diferença de idade. Há quem questione como foi possível ter duas gestações tão próximas. Outros olham interessados ao ver um pai 'japonês', uma mãe morena, uma filha negra e um filho loiro. Somos chamados de família colorida. Eu me divirto. Esses dias, uma pessoa perguntou sobre isso. A resposta está sempre pronta: são filhos do coração.''
Facilitador
A psicóloga Regina Arantes Carvalho explica que, ao pensar em paternidade, os homens devem considerar suas limitações. O papel de pai cria muitas expectativas e devem ser levadas em conta as condições da pessoa. A postura ideal para um pai hoje, afirma, é assumir um papel de facilitador, de alguém que respeita a liberdade do filho, mas está pronto para corrigir e educar, não apenas com palavras, mas com bons exemplos. ''Antigamente o papel do pai era visto como o de provedor. No modelo ideal de educação hoje eles devem ser presentes e contribuir na educação, como um amigo.'' (B.M.)

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