Somente uma pessoa trabalha no bombemaneto
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terça-feira, 18 de julho de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
Imagine a responsabilidade: um operário cuida de uma área equivalente a 30 quarteirões. Esta região, de nove quilômetros quadrados, fica na Repar, em Araucária. Ela é composta de oleodutos e reservatórios. Chama-se setor de transferência e estocagem, o coração da refinaria, que há dois anos tinha pelo menos quatro funcionários por turno. Ali, onde o óleo escapou, passa a principal tubulação que liga a refinaria ao porto de São Francisco do Sul (SC).
Além de monitorar o bombeamento do petróleo, o único funcionário tem a obrigação de encaminhar o produto para o processo de refinamento. O óleo ainda passa por vários estágios até virar gasolina, diesel e outros derivados. Tudo deve ser acompanhado pelo operário, que trabalha oito horas por dia. Ele tem à disposição uma lanterna, um rádio transmissor e um automóvel para circular.
A iluminação de alguns reservatórios é precária na Repar. As lanternas muitas vezes não funcionam por falta de pilhas. O traçado de oleodutos e ruas que levam aos tanques foram invadidos pelo mato. Parte da rotina e das dificuldades reveladas no texto foram descritas a Folha pelo funcionário Roni Anderson Barbosa, que trabalha no setor de transferência e estocagem. O stress, pelo acúmulo de serviço, é inevitável, denuncia Barbosa.
O processo de reestruturação da Petrobrás não cortou apenas o número ideal de funcionários do setor onde trabalha Barbosa. Segundo ele, a refinaria tinha uma equipe de técnicos e auxiliares de segurança e meio ambiente composta por sete profissionais para ajudá-los em operações arriscadas. A partir de 1998, a equipe está com dois trabalhadores - um técnico e um auxiliar. Com eles não têm final de semana, nem feriado. São obrigados a se revezar o tempo todo, a cada 24 horas, conta.


