Sombras irritam comerciantes da XV
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de abril de 1997
Simone Mattos 
Da Sucursal
Gilsom CamargoNa mira da leiO sombra Chameguinho, na Rua das Flores, onde se reveza com o colega, Cachimbão: comerciantes não gostamO executivo apressado faz cara feia, as crianças se divertem, os idosos são imitados sem que percebam e um casal é seguido por mais de cem metros. Quem já caminhou pela Rua das Flores sabe o quanto é difícil passar ao lado do Bondinho sem ser notado. Os polêmicos sombras irritam alguns e divertem outros, transformando suas atitudes em marca registrada da cidade.
Apesar das controvérsias, a mímica, as palhaçadas e as imitações aos transeuntes são realizadas diariamente pelos palhaços Cachimbão e Chameguinho, sem nenhuma fiscalização pública.
Apesar de recebermos grande pressão dos comerciantes locais, não podemos impedi-los de trabalhar, explicou o gerente do departamento de fiscalização da Secretaria de Urbanismo, Délcio Novick.
A polêmica não vem de hoje. No ano passado, durante a administração do prefeito Rafael Greca, Cachimbão e Chameguinho chegaram a ser proibidos temporariamente de trabalhar na Rua XV. Mas tudo acabou ficando bem para os palhaços. Menos para alguns lojistas e até mesmo para pessoas que não gostam das brincadeiras dos sombras.
Ele informou que a secretaria recebe inúmeros telefonemas da população e de comerciantes, pedindo o final das atividades dos artistas de rua. Já recebemos até um abaixo-assinado.
Várias propostas de regularização das atividades de rua dos sombras foram apresentadas recentemente por eles à prefeitura. Uma delas é a criação de um Ônibus da Alegria, que percorreria a periferia da cidade ensinando atividades circenses às crianças carentes. As sugestões estão sendo analisadas pela secretaria.
Ainda não temos nada de concreto, apenas recebemos estas propostas que eles nos trouxeram, disse Novick. Não cabe à prefeitura tirá-los da rua, apenas orientar suas atividades, explicou. Outra sugestão apresentada pelos artistas é de que eles fossem adotados por algum restaurante ou lanchonete local e atuassem apenas numa área pré-determinada pelo estabelecimento.
Novick contou que os técnicos da Secretaria de Urbanismo já sugeriram aos artistas que se mudassem para a Praça Santos Andrade, Osório ou Rui Barbosa, considerados locais próprios para as manifestações populares, mas eles não quiseram. Eles insistem em atuar na Boca Maldita, onde não são bem aceitos pelos comerciantes. Enquanto isso, a polêmica em torno das brincadeiras dos sombras continua acesa.


