Os locutores das lojas da área central de Londrina, que com suas vozes radiofônicas tentam atrair a atenção do consumidor, estiveram ontem no centro de uma polêmica juntamente com a Secretaria Municipal de Fazenda. Eles foram à prefeitura tirar satisfação sobre notificações recebidas anteontem pelos estabelecimentos onde trabalham, que informavam que passava a ser proibida a propaganda com alto-falantes ou similares.
Um dos locutores, Davi Gomes, contou que viu o exato instante em que dois fiscais da Secretaria de Fazenda notificaram o proprietário da loja. ''Um deles disse que se ele voltasse e (o estabelecimento) tivesse som, cortaria os fios e levaria as caixas de som'', afirmou. Segundo a Secretaria de Fazenda, 15 lojas do centro foram notificadas.
A Folha teve acesso a cópias de cinco das notificações e em todas a redação é praticamente idêntica, alertando sobre a proibição expressa e imediata da propaganda com som, cuja desobediência implica em ''pena de multa e outras sanções''. A notícia foi recebida com certo constrangimento na secretaria, pois, segundo alguns diretores, não foi recomendada aos fiscais a proibição.
''O que queremos é que seja respeitado o Código de Posturas do município, que estabelece, segundo recomendações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que o ruído máximo durante o dia seja de 70 decibéis nos estabelecimentos comerciais'', explicou ontem o diretor de Tributos Mobiliários da secretaria, Denílson Vieira Novaes. ''Não é para ninguém deixar de fazer (locução), mas é preciso coibir os excessos''.
O locutor Josuel Rodrigues disse ontem que não haveria nenhum problema para as lojas em acatar a cota de 70 decibéis. ''Até porque as duas lojas onde trabalho respeitam esse limite. Respeitamos padrões técnicos, de conduta e de postura. Mas o que nos disseram é que qualquer som com alto-falante, independente do volume, está proibido'', afirmou. Rodrigues considera que os locutores são discriminados. ''Algumas cartas na imprensa tentaram denegrir nosso trabalho. Atuamos de forma honesta e temos números que comprovam que ajudamos a elevar as vendas''.
A confusão só chegou ao fim quando o gerente de Fiscalização de Alvarás, Nicolsen Barros, se reuniu com os locutores e informou que eles podiam ''desconsiderar'' as notificações. ''Foi tudo um mal-entendido'', afirmou. Ele disse que a partir de hoje a secretaria deve expedir um ofício circular no comércio de Londrina esclarecendo a questão e relembrando o limite de 70 decibéis.
''É bom lembrar que a fiscalização só aumentou nas últimas semanas porque as queixas são muitas'', disse o gerente. Segundo informações da secretaria, a prefeitura recebe cerca de cinco reclamações por dia a respeito do barulho que vem das lojas. Na terça-feira, fiscais mensuraram o ruído em dois estabelecimentos do centro e o som chegou a picos de 80 e 90 decibéis.

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