Som do Interior na ponta dos dedos
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quarta-feira, 02 de fevereiro de 2011
Vinícius Fonseca <br>Reportagem Local 
Um som tipicamente brasileiro, com sotaque do interior, criado em meio às propriedades rurais. Este talvez seja o melhor modo para se descrever a viola caipira. Estilo musical que anda se perdendo, ainda que o sertanejo esteja em alta nesses dias.
Com o intuito de resgatar e fortalecer esse ícone da cultura popular, foi criada a Orquestra de Viola Caipira São Domingos Sávio, em Londrina. Grupo que tem se destacado pela diversidade de gerações que o compõe.
O maestro, Edson Murari Lima, professor de música há 22 anos, explica que o fato da orquestra ser gratuita e não apresentar restrições a idade ou ao conhecimento musical de seus integrantes, possibilita a participação do maior número de pessoas. ''Para fazer parte, basta gostar da música e de viola caipira'', completa.
Lima, conta que a orquestra, que completa um ano em maio, tem aproximadamente 30 componentes e um repertório variado, contemplando grandes clássicos como ''Menino da Porteira'' e ''Mocinhas da Cidade'', entre outros. A maioria dos componentes do grupo tem outras atividades. ''Há mecânico, dentista, pedreiro'', diz. Os ensaios são às sextas-feiras, à noite.
O projeto, idealizado pelo Instituto Nacional de Densenvolvimento da Saúde e da Ecologia (Indese), orgão mantido pela Assossiação Médica de Londrina (AML), deve abrir novos horários de atendimento. Com a procura, o maestro já identifica a necessidade em oferecer mais um dia para os encontros.
''São três horas de aula, onde você não só pratica, mas também estuda teoria. Para conhecer um pouco mais da história do instrumento precisamos de mais um dia'', argumenta Lima.
O coordenador-geral do Indese, João Batista, esclareceu que o projeto ainda está no início, mas a expectativa é criar um grupo apenas com crianças, beneficiando, principalmente, jovens de baixa renda. ''Manteremos aberto a toda a comunidade. Queremos criar um núcleo de orquestra infantil em cinco anos.''
Mais do que o prazer pela música ou a paixão pela viola, a orquestra proporciona um verdadeiro encontro de gerações. Participam desde crianças até idosos. Está se formando uma família, defende o jovem integrante Denis Henrique da Silva Melo, 16 anos.
Ele afirma que já conhecia um pouco de violão, o que acilitou o aprendizado do novo estilo. A escolha foi motivada pelo pai. ''Meu pai sempre assistiu programas de viola e comecei a conhecer por influência dele. Um dia pedi uma (viola) de presente, quando completei 15 anos'', lembra. ''Gosto de fazer parte da orquestra e aqui todo mundo se ajuda'', afirma.
Outro violeiro, um pouco mais experiente, o metalúrgico Valter Costa, 34 anos, assegura que, por mais que a pessoa não goste de viola, se assistir a um ensaio mudará de opinião. ''É algo inexplicável, só vindo aqui para entender. Não dá para não se apaixonar pelo som da viola.''
Serviço:
Os ensaios são às sextas-feiras, às 19 horas, no antigo prédio da AML (Rua Maestro Egídio Camargo Amaral, 130, Centro). Fone (43) 3323-0857.


