O Festival de Música de Londrina chega à 31 edição este ano revelando que não há fronteiras para quem está em busca do sonho de construir e aperfeiçoar a carreira musical. Prova disso são os entrangeiros que desembarcaram recentemente na cidade, com instrumentos musicais e, principalmente, a curiosidade sobre o festival.
''Senti um pouquinho de medo por não conhecer ninguém, a cidade, o país. Este é o primeiro festival que participo e a primeira vez que venho ao Brasil. Estou feliz em estar aqui'', conta Enrico Lopez Yanez, de 22 anos, que mora em Los Angeles (EUA).
O jovem, que estuda direção orquestral na Universidade da Califórnia (Ucla) e veio especialmente para aprender regência com o maestro japonês Daisuke Soga, diz que tem contado muito com a ajuda dos colegas de curso. ''Como só falo inglês ou espanhol, eles têm me ajudado com algumas palavras e até para me levar a alguns lugares'', comenta.
O conhecimento sobre o FML foi através de um amigo da Venezuela, que esteve no evento durante dois anos. ''Ele me recomendou dizendo que era muito bom e que eu iria adorar. Agora, participando do curso, posso dizer que está valendo muito a pena'', revela ele, que veio por conta própria. ''Aproveitei o período de férias em meu país para estudar aqui. Foi preciso economizar para isso também'', diz.
Já o gosto pela música, segundo ele, vem desde a infância. O pai é cantor de ópera e a mãe é pianista. ''Desde pequeno sempre tive contato com música. Toco trompete e piano, mas meu sonho é estar à frente de uma orquestra'', afirma o jovem aprendiz, que durante o curso tem aprimorado a interpretação musical e a comunicação com a orquestra, além de aprender a transmitir a emoção através de gestos.
Para esse jovem americano, o fascínio pela música existe pelo fato de todas as pessoas, de qualquer lugar do mundo, poderem se comunicar através dela. ''Cada pessoa interpreta a música de uma forma diferente, mas é impossível ficar imune à emoção que ela transmite. Seja triste ou feliz, bem ou mal, todo mundo se envolve'', diz.
Incentivo
Ao todo, o FML conta com 11 participantes, entre professores e alunos, vindos dos Estados Unidos, França, Japão, Suíça e Rússia. Para aqueles que já estão familiarizados com o festival, como o maestro de Tókio, Daisuke Soga, de 45 anos, a presença de jovens alunos, inclusive estrangeiros, surpreendem a cada encontro. ''Estou aqui pela 6 vez e me sinto honrado. Acredito muito no objetivo do festival em proporcionar e reforçar o aprendizado. É bom saber que minha presença é para melhorar e incentivar esses estudantes'', diz.
Soga, que é maestro há 25 anos, revela que só carimba o passaporte para o Brasil para vir ao FML. ''Já me acostumei'', comenta. E quanto ao segredo para se tornar um grande músico, Daisuke responde que não há. ''É difícil dizer, mas tendo iniciativa para participar de cursos e treinar bastante, já é um bom caminho'', afirma.

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