Soluções novas permitem ao Angelina Caron não recusar pacientes do SUS
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de fevereiro de 1997
Da Sucursal 
Produção de medicamentos, produtos de higiene e limpeza e móveis foi a solução encontrada pelo Hospital Angelina Caron, na Região Metropolitana de Curitiba, para reduzir custos e se manter na crise. O hospital não recusa pacientes, mesmo que tenham que ficar no chão ou em macas espalhadas pelo corredor.
O Angelina Caron é um dos poucos hospitais particulares do Paraná que sobrevive basicamente com o atendimento ao SUS. A fabricação de alguns dos materiais de que necessitamos barateou o custo do paciente, afirma o diretor do hospital, Marco Antonio Caron.
Outras fontes de recurso são os convênios. Caron diz que o hospital pretende inaugurar uma ala com 21 apartamentos. Temos de investir no particular para podermos fazer o atendimento dos pacientes do SUS e compensarmos os prejuízos, afirma.
O hospital recebe por mês, do SUS, mil Autorizações de Internamento Hospitalar (AIHs) para atender o sistema público, mas faz 1,3 mil procedimentos. A direção faz uma triagem e utiliza as AIHs nos procedimentos complexos, como as cirurgias cardíacas feitas pela equipe do cardiologista Randas Batista.
Procedimentos mais simples e baratos, como parto, curetagem e atendimento pediátrico, estão sendo pagos pelo próprio hospital. Com isso, o hospital já acumulou duas mil guias que deveriam ser pagas pelo SUS e que o hospital espera receber.
Apesar das alternativas adotadas, o hospital está no vermelho, admite Caron. Segundo ele, o SUS acumula desde maio do ano passado uma dívida de cerca de R$ 1 milhão com o hospital.
Nos últimos seis meses, o hospital tem recorrido a empréstimos em bancos para pagar seus 500 funcionários. Com o acúmulo de dívidas, a administração também pede prazo maior aos fornecedores e atrasa o recolhimento de impostos, diz o diretor administrativo, Isomar Sadi Kasper.


