Por trás de técnicas milagrosas de emagrecimento, escondem-se diversos perigos à saúde e nenhuma garantia de eficiência a longo prazo. Remédios, tratamentos como mesoterapia e dietas que prometem resultados imediatos só colaboram para o efeito sanfona, segundo o endocrinologista César Luiz Boguszewski. O emagrecimento rápido se transforma logo em quilos a mais.
Na pressa de perder as gorduras que estão sobrando, as mulheres acabam não sendo exigentes com os métodos. Vale tudo, menos o esforço.
Os remédios recebem restrição quando se fala em estética. Quando o problema da obesidade é mais grave, só podem ser tomados com orientação médica. As fórmulas (combinação de vários medicamentos) são condenadas pela maioria dos médicos porque os efeitos colaterais são imprevisíveis.
Entre as substâncias perigosas, estão os anfetamínicos. Estimulantes do sistema nervoso central, eles inibem o apetite, mas podem causar excitação e dependência. O hormônio tireoidiano - normalmente presente nas fórmulas manipuladas - também não é recomendado. ‘‘Ele provoca a doença (hipertireoidismo) para fazer emagrecer. Na hora que a pessoa pára com a medicação, volta a engordar’’, afirmou Boguszewski.
Pesquisa feita em 1992, em clínicas de São Paulo e Recife, mostrou que a maioria das pessoas que tomava fórmulas não tinha informação sobre o medicamento. Achava que o produto era natural, queimava gordura e não tinha contra-indicações. Acreditava ainda que não havia outra alternativa para emagrecer senão as fórmulas. O mais grave: a maioria das pessoas que usava o medicamento não era obesa.
As terapias alternativas ainda são motivo de desconfiança na classe médica. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia - Seção Paraná, Henrique Suplicy, o perigo está em não haver controle sobre as terapias. ‘‘Não há como saber a qualidade dos produtos.’’
A mesoterapia, usada para tratamento para celulite e estria, é uma das técnicas que ainda não têm o crédito da medicina. Em um site da Internet sobre corpo e saúde (www.uol.com.br/saude), a dermatologista Lilian Akemi Oto diz que não existe comprovação sobre a eficácia do método e a ação específica de cada substância injetada. Além disso, a técnica pode causar complicações como hematomas, reações alérgicas, manchas, úlceras, inflamações e infecções causadas por bactérias atípicas.
Artigo publicado pela Associação Americana de Diabetes diz que as modalidades terapêuticas novas - ainda não comprovadas - podem ser aplicadas a pacientes apenas em experimentos aprovados por um comitê de investigações clínicas.
Segundo a associação, os proponentes de técnicas alternativas geralmente não possuem credenciais clínicas ou científicas suficientes, além de fazer afirmações exageradas e irreais sobre os produtos ou métodos. As aplicações são indicadas erroneamente, os detalhes geralmente são secretos e os aplicadores recusam consulta ou revisão dos seus métodos por médicos ou cientistas.

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