O que fazer quando encontrar um cãozinho perdido pela rua? Dar abrigo, alimentar, acionar os bombeiros, a prefeitura? É grande o número de animais abandonados em Londrina. Um levantamento realizado pela ONG SOS Vida Animal, no início do ano passado, contabilizou mais de 35 mil cães vivendo nas ruas.
Uma das soluções apontadas pela ONG para o controle da superpopulação canina seria a construção de um centro municipal de controle de zoonoses, idéia já descartada pela atual administração, devido ao alto custo. Porém, uma cidade vizinha de Londrina acatou a idéia.
Maringá já conta com um centro de controle de zoonoses (CCZ) há quatro anos e nesse período só tem atendido emergências, como ataques de animais de grande porte e bichos agonizando ou correndo soltos pelas ruas. Segundo a veterinária Marilda Fonseca de Oliveira, coordenadora de zoonoses e pragas urbanas do CCZ, são atendidas em média 30 solicitações por dia.
A estrutura conta com três canis para machos e três canis para fêmeas, uma baia para cavalos, um caminhão para captura de animais de grande porte e um carro para coleta de cães e gatos. Ao todo, três veterinários e quatro agentes fiscais trabalham nos cuidados com os bichos. Os agentes municipais da dengue também utilizam a estrutura do CCZ para as análises laboratoriais. Controle de roedores, pássaros, insetos, caramujos, escorpiões e resgate de gambás, lagartos e até cobras que vivem nas matas de Maringá também é trabalho de equipe do CCZ.
''O cão é recolhido das ruas e permanece no canil até que o dono reclame sua posse. Aqui ele dorme em estrado, tem água limpa e alimento o dia todo e ainda passeia uma vez por dia para desestressar. Passados três dias, se ninguém vier buscar o animal, é feita a eutanásia'', explica Marilda.
Segundo ela, se o cachorro é dócil, o CCZ tenta a doação, mas 70% dos casos terminam em morte. ''É dado um pré-anestésico antes da injeção com a droga que causa a parada cardíaca, conforme preconiza a legislação'', descreve. O serviço público recolhe os cadáveres, que são levados para o aterro sanitário. Já as carcaças são incineradas por uma empresa terceirizada.
O CCZ de Maringá também oferece serviço gratuito de castração para a população. Em parceria com o Cesumar, a Prefeitura pretende castrar até 40 animais por mês, a um custo de R$ 50 por animal. Hoje a equipe de veterinários castra até quatro animais diariamente.
''Por ser distante do centro da cidade, poucas pessoas trazem os animais para a castração e poucos são os donos que vêm buscar os animais recolhidos das ruas'', lamenta a veterinária, lembrando que o local quase foi interditado porque funciona vizinho a uma empresa que recolhe embalagens de agrotóxicos.
Marilda recorda que a contrapartida do Município para a construção do CCZ foi de apenas 25% da verba recebida do governo federal, que foi de R$ 500 mil para a infra-estrutura e outros R$ 300 mil para a compra de equipamentos e veículos. ''É um valor baixo, além disso, a equipe de funcionários já existia na Saúde. Não sei por que Londrina devolveu o dinheiro ao ministério'', opina.
Para ela, um centro de zoonoses é fundamental no controle da população animal das grandes cidades. ''Apenas a vacinação e a castração não garantem que o animal possa voltar à rua sem causar problemas. Ele pode ocasionar um acidente de trânsito, vai passar fome, sede, frio, pode ser apedrejado. Ele continuará sujando as calçadas, as praças e contaminando as pessoas'', diz a veterinária.
Ela sugere a adoção de uma série de medidas, entre elas a posse responsável, além da eutanásia, para resolver o problema da superpopulação. ''O dono tem que entender que a rua não é extensão do quintal.''
''Quando alguém vê um cão perambulando ou agonizando na rua chama o CCZ. Mas ninguém quer saber o que acontece com o animal quando ele chega no centro. A eutanásia é inevitável, já que não temos estrutura para abrigar tantos animais quanto é a demanda'', completa Marilda. Segundo ela, a maioria dos cães encontrados nas ruas de Maringá são de grande porte e ''os donos não costumam procurar por eles.''

mockup