Um grande aeroporto metropolitano instalado a apenas 13 quilômetros do centro de Londrina. E mais: pista de 3,4 mil metros de extensão por 45 de largura, capacidade para operar com grandes aeronaves cargueiras e munido com os mais modernos equipamentos de auxílio à navegação. Os aviões poderiam aterrissar e decolar com carga total, inclusive do Brasil para o exterior, atendendo a demanda de toda a região.
Esse projeto, que acabaria de uma vez por todas com os constantes problemas de infra-estrutura que atingem o aeroporto local, não é sonho: faz parte de um planejamento estratégico do Departamento Hidro-Aero-Ferroviário da Secretaria do Estado dos Transportes do Paraná e já tem até data prevista para execução. As obras começariam em 2004 e terminariam em 2008.
O Departamento Hidro-Aero-Ferroviário coordena a melhoria da infra-estrutura aeroportuária no Paraná, planejando e estabelecendo as prioridades para o setor. De todos esses projetos, segundo Germano Valença, engenheiro-chefe do órgão, o do novo aeroporto de Londrina é o mais importante. E o motivo, diz Valença, é um só: no máximo em uma década, o atual aeroporto não deve mais comportar a demanda crescente de vôos.
‘‘Hoje já existem sérios problemas por causa da proximidade do aeroporto com a cidade, que está dentro da rota de aproximação. Quando a visibilidade é pequena, os riscos são maiores. E o problema do ruído aeronáutico, quando o movimento tiver maior, com vôos noturnos, vai acarretar diversas reclamações. Por isso é importante o planejamento’’, diz o engenheiro. ‘‘Londrina é a terceira maior cidade do Sul do País e não poderia permanecer com um aeroporto acanhado.’
Germano Valença explica que o projeto do novo aeroporto começou a ser avaliado ainda em 1996, quando foi firmado convênio entre a prefeitura e a Infraero para reforma e ampliação da atual pista e terminal de passageiros. ‘‘Na época, me solicitaram verificar em que consistia o convênio’’. Foram analisados todos os documentos e a conclusão foi de que a vida útil do atual aeroporto seria de 10 anos.
O engenheiro destaca: o novo empreendimento não inviabiliza as melhorias previstas para o aeroporto atual. Pelo contrário: a demanda atual já justifica os investimentos; e, a partir do início da operação do novo aeroporto, o atual poderia servir à aviação em geral, como acontece hoje com o Bacacheri, em Curitiba, ou o Congonhas, em São Paulo.
Segundo Valença, o projeto deverá começar a tomar forma já a partir de março do ano que vem. Neste período, o departamento deve envolver na discussão o Ministério da Aeronáutica, através do Instituto de Aviação - vinculado ao Departamento de Aviação Civil (DAC) -, que responderá pelo plano diretor do novo aeroporto. Infraero e 5º Comando Aéreo Regional, além da prefeitura, também poderão participar do estudo.
O diretor-presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Mário Stamm Júnior, informou que a área do novo aeroporto já foi definida no novo Plano Diretor de Londrina, depois de avaliação da própria prefeitura. Ela está localizada na Rodovia Nábio Palhano, já no Distrito de São Luiz (zona sul), próximo à estrada de Serra Azul - que vai até Apucarana. Fica a 13 quilômetros do centro de Londrina, sete quilômetros do Catuaí Shopping Center e 3,5 quilômetros do futuro centro de eventos do Distrito Espírito Santo. A área teria até 5,5 quilômetros de extensão por um quilômetro de largura.
‘‘Os estudos apontaram que esta seria a melhor área para abrigar o aeroporto. E é um local relativamente próximo do centro’’, explica Mário Stamm. Segundo ele, como já tem uma destinação prevista no Plano Diretor, não há risco que uma expansão urbana invada o espaço do novo aeroporto, como ocorreu com o atual. A preservação do chamado ‘‘sítio aeroportuário’’ - área reservada para procedimentos aéreos e de controle de vôo sejam realizados com segurança, sem interferência de obstáculos - é apontada como condição básica para definir o empreendimento.
A área reservada pelo Plano Diretor já foi visitada, no ano passado, pelo engenheiro-chefe do Departamento Hidro-Aero-Ferroviário, Germano Valença, que a considerou bastante adequada.
Em caso positivo, e a partir da definição da construção do obra, a prefeitura pode transformar o espaço no Distrito de São Luiz em área de utilidade pública e iniciar o processo de desapropriação. Valença estima neste projeto investimentos em torno de R$ 20 milhões, com recursos viabilizados pelo Ministério da Aeronáutica, Governo do Estado e Município de Londrina.Josoé de CarvalhoRasanteAvião pousa no aeroporto de Londrina, depois de sobrevoar a cidadeLúcio Horta

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