Para o professor de Ictiologia (parte zoologia que estuda os peixes) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Oscar Shibatta, a proibição da pesca na Bacia do Tibagi não é suficiente para recuperar a fauna do rio, ainda que aumente as chances de sobrevivência de espécies.
''O que preocupa é que pouca coisa tenha sido feita pela qualidade do ambiente em si, como em relação ao uso de agrotóxicos e o despejo de esgoto. Talvez combater esses fatores fosse até mais efetivo'', afirma o especialista, acrescentando que a pesca no Tibagi nunca foi ''tão intensiva''.
Participante do ''Projeto Tibagi'', que durante 13 anos estudou a bacia e identificou 110 espécies de peixe no local, Shibatta avalia que a soltura de milhões de alevinos na bacia foi uma ''solução muito radical'' encontrada pelo governo. Sua maior preocupação é com o aumento da competição por alimentos entre os peixes.
''Você tem uma quantidade X de alimento disponível no ambiente. Se aumenta o número de competidores, há consequências'', analisa. ''Temos que ver se o ambiente tem capacidade de suporte, não pode soltar peixes só para fazer propaganda'', pondera. (V.N.)

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