Solução em Prado Ferreira foi fazer licitação
Prado Ferreira (53 km ao norte de Londrina), cidade tranqüila de 3.344 habitantes, emancipada há apenas 10 anos. No hospital municipal, uma situação rara para quem está acostumado com os abarrotados hospitais públicos das maiores cidades do Estado: dos 20 leitos, apenas um estava ocupado na última semana. Segundo os funcionários, é sempre assim.
Nenhum médico mora em Prado Ferreira, mesmo assim para cada 836 habitantes há um profissional. Trabalham no município três clínicos gerais e um pediatra, que moram em Londrina e Rolândia e se deslocam até a cidade para prestar atendimento.
Contudo, para contar com os profissionais foi preciso investir. Em um concurso público realizado em 2006, que oferecia salário de R$ 2,6 mil por 40 horas semanais, só teve um aprovado, que acabou desistindo da vaga. A única solução foi fazer uma licitação e contratar empresas médicas, dessa forma podemos pagar a eles mais do que ganha o prefeito, explica Magna Regina Procópio, secretária de Saúde.
Os médicos também são donos de empresas e, em vez de receberem holerite, emitem nota fiscal a cada mês. Não têm direito a 13º salário e adicional de férias, mas os clínicos gerais recebem R$ 12 mil por mês. O pediatra, que trabalha duas vezes por semana, ganha R$ 2,5 mil mensais.
Nos plantões, eles fazem de tudo, desde atendimentos ambulatoriais até primeiros socorros de vítimas de acidentes de trânsito. Os partos também são feitos pelas mãos dos clínicos, que ainda fazem o papel de anestesiologista se for necessária uma cesárea de urgência. Em casos aprovados pela equipe de planejamento familiar do município, eles também realizam a esterilização cirúrgica: laqueadura para as mulheres e vasectomia para os homens.
O médico que tem uma boa formação sabe fazer tudo o que for necessário em uma urgência, inclusive anestesia. Um dos requisitos para as contratações por aqui é saber se o profissional sabe como proceder em obstetrícia, traumas, explica o médico Ludovico Pedro Janesch, que mora em Londrina e trabalha em Prado Ferreira.
Segundo Janesch, apesar da tranqüilidade do hospital, muitas vezes o bicho pega. Nosso hospital é de pequeno porte e temos dificuldades para mandar pacientes de urgência para Londrina. Muitas vezes não há vagas, aí entramos na ambulância e vamos junto para tentar o internamento, queixa-se.
Convidado a narrar um caso que lhe marcara em dois anos de trabalho na pequena cidade, ele finaliza narrando um parto. O bebê era muito grande e o parto foi complicado. Quando a criança nasceu, estava em completa parada cardíaca, inclusive a cor do bebê indicava óbito. Eu não aceitei aquilo e fiz massagem cardíaca por mais de meia hora. Alguns funcionários que me acompanhavam diziam que eu podia parar, pois já não adiantaria. Não desisti. Com muita insistência, a criança voltou a respirar e hoje está viva e sem seqüelas. Ela ganhou o nome de Vitória. Foi um milagre. (W.S.)





