Especial para Folha
Cabe à escola avançar na determinação de limites aos alunos, ensinar formas legais de resolver conflitos e desenvolver técnicas de negociação. Estes são alguns dos conteúdos da palestra de tema ‘‘Indisciplina nas escolas’’ que será ministrada, nos dias 17 e 18 de maio, às 19 horas, pelo pesquisador do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Joe Garcia. Ele falará a professores da rede particular de ensino, na sede do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Curitiba (Sinepe).
Garcia ministra, há três anos, cursos de pós-graduação em escolas públicas e particulares do Paraná e Santa Catarina e diz que as queixas dos três mil professores atendidos, em mais de 100 escolas, são de que atualmente a violência é grupal e não de forma individual como acontecia há 30 anos, por exemplo. Uma das soluções defendidas por Garcia é a aproximação família-escola. A ação coletiva dos professores para resolver conflitos entre alunos é outra saída. Ele elogia a proposta do Ministério da Educação de inserir em todas as matérias conteúdos sobre ética e cidadania. ‘‘As escolas estão correndo atrás disto, pela sua importância’’. A Unesco informa que, em todo o mundo, os jovens que estão na faixa etária de 15 a 25 anos fazem parte da geração mais violenta do século. As causas disto, segundo Garcia, estão ligadas à influência da mídia - principalmente as programações televisivas com um caráter violento e não educativo - jogos de computadores e videogames com conteúdos anti-sociais, como lutas marciais, além da violência social.
‘‘Os pais estão deseducando os filhos. Mais de 90% dos domicílios brasileiros têm televisores, onde as crianças assistem a tudo.’’ Na sua opinião, alguns programas desenvolvem precocemente a criança para a sexualidade e passam valores de anti-hérois, em quem os menores se espelham. Estatísticas norte-americanas apontam que quando o adolescente completa 12 anos já assistiu perto de 20 mil atos de violência na TV.
Técnicas inovadoras desenvolvidas no meio educacional estão surtindo efeitos positivos. O pesquisador cita o exemplo de uma professora que trocou de papéis com os alunos. ‘‘Eles sentiram na própria pele o que faziam os educadores passarem pela falta de atenção e bagunça em sala de aula e então mudaram de comportamento.’’ Pesquisa feita nos Estados Unidos diz que crianças que sofrem violência na infância serão mais propensas ao alcoolismo, depressão, condutas anti-sociais, dificuldades de aprendizagem e terão tendências a atos violentos quando adultas.

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