Solução deve prever ganho ambiental
Quando a questão é buscar soluções para o problema do lixo, não se deve raciocinar em termos de lucro financeiro, mas de ganhos ambientais. O professor de Saneamento e Meio Ambiente do Departamento de Engenharia Civil, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Fernando Fernandes, afirma que Londrina precisa de uma política bem definida que trate sobre a questão do lixo desde a sua produção até o seu destino. Fernandes, junto com sua equipe, foi o primeiro a realizar um estudo sobre as condições do Lixão em 1993.
O professor afirma que o município tem que tratar não apenas do lixo domiciliar mas de todos os tipos: industrial, sistema de saúde (farmácias, clínicas, hospitais), restos de podas, entulhos de construção. Pouco se fala sobre o lixo industrial, por exemplo. Este tipo de lixo precisa de um local específico, assim como o do sistema de saúde, alerta.
Para ele, esta questão deve ser tratada em dois âmbitos: social e técnico. No primeiro, deve-se investir em uma campanha educacional intensa para ensinar a população a separar o lixo reciclável do orgânico em casa e a minimizar a produção do lixo.
A coleta seletiva, segundo Fernandes, só é viável financeiramente se houver uma campanha educacional ostensiva, conscientizando as pessoas a levar o lixo reciclável a containeres colocados em pontos estratégicos ou até a centrais de recebimento, a exemplo do que acontece em Toledo, na região Oeste do Paraná.
O custo da coleta e transporte do lixo reciclável em caminhões é de US$ 250 a tonelada, enquanto do misturado é de US$ 25 a tonelada, afirma. Fernandes diz ainda que mesmo com uma intensa campanha educacional a média de adesão da população é de 40%. Outro componente importante para tornar a coleta seletiva eficaz é a organização dos catadores de papel em cooperativas, na opinião de Fernandes.
A coleta seletiva, lembra o professor, irá diminuir a quantidade de lixo produzido e, consequentemente, as gastos com transporte do mesmo. O município paga R$ 55,00 a tonelada para a Vega Sopave.
Do ponto de vista técnico, uma das questões mais inquietantes para Fernandes é a do lixo industrial. Joga-se no Lixão resíduos que não se sabe o grau de toxidade, alerta. Ele lembra que de acordo com Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) o lixo é classificado em três tipos: perigoso (resíduos tóxicos que têm risco de explosão); inerte (os recicláveis: plástico, metal, vidro, etc) e orgânico.
O professor defende a criação de uma política nacional específica para indústrias e empresas que desestimule a produção de lixo. As empresas têm liberdade para produzir qualquer embalagem industrial sem ter responsabilidades pelos resíduos que produzem. Para isso, Fernandes considera necessária uma taxação significativa. (E.P.)





