Solteiros comemoram seu dia
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segunda-feira, 14 de agosto de 2006
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), 74 milhões de brasileiros fazem parte da fatia da população que pode comemorar o Dia do Solteiro hoje. Se somarmos ao número, mais 11 milhões de separados, divorciados ou viúvos, a conta sobe para 44% de toda população brasileira. O que muitos se perguntam é se trata-se, mesmo, de um dia de festas ou de lamentações.
Uma olhada rápida em sites da internet mostra os dois lados da questão. Sergio Savian, profissional que trabalha com aconselhamentos, palestras e workshops em todo o Brasil com objetivo de mudar hábitos nos relacionamentos, escreve em um artigo que o dia do solteiro seria uma espécie de revanche para quem passou o dia dos namorados sozinho. Por outro lado, o site www.solteirosporopcao.com.br é um verdadeiro oásis para quem assumiu a solteirice por opção.
É o caso da estudante Viviane Vieira. Sua pouca idade, 21 anos, ainda não permite a certeza de suas convicções atuais. Hoje, pelo menos, ela garante que não pensa em casar. ''Eu vejo muitos casais que vivem brigando, às vezes por questões financeiras ou porque não se entendem mesmo'', justifica. Para ela, um relacionamento duradouro vai depender de ela obter, primeiro, estabilidade financeira. ''Vai depender do companheiro, é claro. Hoje só posso dizer que ser solteira é muito bom'', diz.
A funcionária pública aposentada Sandra Conde, 49 anos, também está satisfeita com sua vida. Ela é divorciada há 18 anos e mãe de um garoto de 18 anos. ''Estou muito tranquila. Faço o que quero, na hora em que quero, viajo quando quero. Claro que tem momentos que você quer dançar e tem que levar o sanduíche, mas eu não deixo de ir nos lugares por falta de companhia'', diz, brincando.
Sandra faz parte de uma fatia da população que cada vez mais vem crescendo no País. São pessoas bem sucedidos profissionalmente, com bom nível cultural e social, que não abrem mão do seu estilo de vida. Sandra tem um grupo de oito amigas, todas solteiras, com quem sempre sai, faz programas culturais, viaja. ''Para eu tentar dividir minha vida hoje tem que ser uma pessoa muito, muito especial'', diz ela, que é proprietária de dois apartamentos e tem uma vida financeira estabilizada, suficiente para manter o filho e a mãe. ''Para eu ficar com um cara ele também teria que ser o chefe da família. Eu não vou abrir mão da minha vida e pagar as contas dele.''
O professor do curso de Teatro da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e sonoplasta Cesar Sarti, 52 anos, é outro solteiro por convicção. ''Gosto de ser solteiro ou não seria até agora'', afirma. Pensando melhor, diz que, na verdade, é um pouco traumatizado. ''Todos na minha família são casados e não são felizes. Também tenho muitos sobrinhos, e por isso acho que não sinto muita necessidade de ter uma família.''
Sarti acha difícil, depois de tanto tempo vivendo sozinho, acostumar-se à vida ao lado de alguém. ''Estou acostumado a ser independente, acho dicícil ter uma convivência com outra pessoa agora. Talvez morando separados'', conclui.
Apesar dos solteiros convictos, dados de 2004 do IBGE mostram que os brasileiros continuam casando. No Brasil, dados baseados em registro de cartórios mostram que houve 806.968 casamentos oficiais, sendo que em 697.406 (86,4%), ambos os cônjuges eram solteiros. No Paraná, em 2004 foram realizados 52,7 mil casamentos. No mesmo ano, houve 13,1 mil separações jurídicas e divórcios.


