Coloridas e divertidas, as pipas devem ganhar os céus de Londrina nas próximas semanas, com o início das férias escolares. Para brincar com esses engenhosos brinquedos fabricados em papel e bambu, entretanto, é preciso muita responsabilidade.
Motivados pela história de um amigo que se cortou com cerol, alunos do Programa SER, do Sesc Aeroporto, realizaram projeto sobre os riscos da prática e a maneira segura de soltar pipas.
''Muitos são moradores de bairros próximos ao Aeroporto e não sabiam que o brinquedo é proibido na região, porque atrapalha a visibilidade'', explicou a pedagoga Vanessa Alline Diogo Calandro, que coordena o projeto junto com o educador físico Tiago Luiz de Morais.
Depois de pesquisarem sobre o tema e até assistirem a palestras com profissionais da Infraero e Copel, as crianças produziram cartazes e panfletos contendo informações sobre a maneira segura de brincar.
O material foi entregue por eles, na semana passada, a alunos da Escola Municipal Maria Irene Vicentini Theodoro, no Jardim Eldorado (Zona Leste), onde muitos estudam.
João Vítor Santos Leifert, 11 anos, participa do projeto do Sesc e, apesar de admitir já ter usado cerol para cortar as pipas de outros meninos, aprendeu que a brincadeira pode ser perigosa. Eloquente nas explicações aos colegas, contou que os amigos da vizinhança também pararam de fazer uso das linhas coladas com resíduos de vidro. Outra coisa que aprendeu no projeto foi a fabricar as próprias pipas. ''Agora, eu mesmo faço as pipas, que ficam mais com o meu estilo'', contou.
Sarah Dias da Silva, 9, revelou que um de seus irmãos já se machucou ao usar cerol. ''Agora eles entenderam que é perigoso e pararam. Minha mãe gostou, porque tinha medo de acidentes'', disse.
Para o estudante Rogério Jorge Estevan, 9 anos, que ouviu a palestra dos colegas do Sesc, a má notícia foi saber que é proibido soltar pipa na Praça Nishinomiya, que fica em frente ao Aeroporto. ''Vou passar a soltar no campinho'', resignou-se.
A mãe do garoto, Daniela César, aprovou a iniciativa das crianças do Sesc e acredita que a conscientização deva ser estendida a outras instituições da região. ''Moro ao lado do Aeroporto. Se uma pipa provoca um acidente com qualquer avião, ele pode cair em cima da minha casa.''
De acordo com a pedagoga Vanessa Calandro, os panfletos produzidos pelos alunos serão distribuídos em estabelecimentos comerciais e postos de saúde dos bairros próximos ao Sesc.

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