Solo cede e assusta moradores
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segunda-feira, 28 de maio de 2001
Andréa Lombardo De Curitiba 
O afundamento do solo no terreno de uma casa voltou a preocupar moradores do Jardim Monte Santo, em Almirante Tamandaré (Região Metropolitana de Curitiba). Ontem a prefeitura relocou a família para uma residência na região central da cidade. O imóvel continuará interditado até que não haja mais risco de desabamento. O buraco, com aproximadamente quatro metros de profundidade e cinco de diâmetro, apareceu no final de semana. Os moradores acreditam que a exploração dos poços do Aquífero Karst, pela Sanepar, seja responsável pelos desmoronamentos de solo e rachaduras nas casas.
O secretário do Trabalho e Assuntos Econômicos de Almirante Tamandaré, Ari Anselmo da Silva, disse ontem que as causas do afundamento ainda estão sendo apuradas. Segundo ele, a prefeitura não tem intenção de tomar qualquer medida contra a Sanepar, pelo menos até que se descubra os responsáveis.
Esta é a segunda vez que a vendedora Claudete da Silva da Costa, dona da casa, passa por uma situação dessas. Ela conta que há cerca de nove anos, outro afundamento aconteceu, na mesma direção do buraco atual, só que para o lado de fora do muro de sua casa. Foram necessários 23 caminhões de terra para fechar o buraco. Desta vez, a abertura do buraco está bem próxima da fachada da casa e, internamente, avançou por baixo da construção.
Além dos buracos, Claudete mostrou rachaduras por toda parede e teto em um dos cômodos da casa. Ela, que mora há 21 anos no bairro, disse que todas as casas da vizinhança têm problemas semelhantes.
Moradora da região há 23 anos, a dona de casa Cícera Clotilde de Lima, vizinha de Claudete, disse que além das paredes rachadas, as portas de sua casa não fecham por causa da desestabilização do terreno e, consequentemente, da construção. Segundo ela, o problema começou há cinco anos e está cada vez pior.
O gerente de Hidrogeologia da Sanepar, Arlineu Ribas, disse que o acidente do final de semana não tem qualquer relação com a exploração do Karst. Ribas explica que o aquífero é dividido por cortinas de diabásio (paredes de rocha impermeáveis), formando compartimentos subterrâneos distintos. Ele afirma que a dolina (espécie de caverna subterrânea) que se formou na casa de Claudete estaria em compartimento diferente de onde a Sanepar retira água. Outro argumento apresentado por Ribas é de que haveria prejuízo à qualidade da água caso houvesse desmoronamento de terra em compartimento onde os poços estão instalados, o que, segundo ele, não aconteceu.
O presidente da ONG Força, Ação e Defesa Ambiental (Fada), Luís Carlos Martins de Lima, disse que a entidade está reunindo elementos para entrar com uma ação civil pública exigindo da Sanepar a apresentação do EIA-RIMA (Estudo de Impacto Ambiental-Relatório de Impacto Ambiental) para a exploração do Karst em Almirante Tamandaré.


